Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012
por José Meireles Graça

Há uma tese recorrente no nosso espaço opinativo segundo a qual um dos defeitos da nossa democracia é os políticos não "existirem fora da política", serem "carreiristas" e não terem "experiência da vida real". Há muito a dizer, e tem sido dito, a favor desta tese.


Há uma tese recorrente no nosso espaço opinativo segundo a qual um dos defeitos da nossa democracia é os políticos defenderem "inconfessáveis interesses", "terem ligações a grandes empresas e escritórios de advocacia" e terem criado mecanismos que "excluem os cidadãos da participação política". Há muito a dizer, e tem sido dito, a favor desta tese.


A esquerda costuma defender, para corrigir estes defeitos, a diarreia legislativa de listas de incompatibilidades, órgãos de fiscalização, declarações de interesses, etc., bem como múltiplas formas de democracia directa, incluindo a atenção à rua, às manifestações, às "comissões de utentes" e às ONGs; e também, a par do que se faz no Parlamento, o diálogo social (este último entendendo-se como institucionalizado burocraticamente em torno de confederações de sindicatos e de organizações corporativas da indústria, comércio, etc., "representativas" respectivamente dos trabalhadores e dos patrões).


A direita costuma defender, para corrigir estes defeitos, a reforma da lei eleitoral, consagrando círculos uninominais, corrigidos ou não por um círculo nacional; o recrutamento, para lugares de direcção política, de especialistas sem currículo parlamentar; e também, a par do que se faz no Parlamento, o diálogo social (este último entendendo-se como institucionalizado burocraticamente em torno de confederações de sindicatos e de organizações corporativas da indústria, comércio, etc., "representativas" respectivamente dos trabalhadores e dos patrões).


Isto é uma simplificação: que na verdade há várias esquerdas e várias direitas, além de combinações assim e assado.


O que eu penso disto tudo, na parte em que tenho alguma coisa pensada, não digo agora, que não tenho vagar.


Mas se juntarmos dois políticos sem interesses inconfessáveis, com profissões outras que o exercício da política, um deles técnico de reconhecidos méritos, o outro (que eu supunha metalúrgico, mas, segundo a biografia oficial, professor do ensino secundário), ambos sem ligações a grandes empresas ou a escritórios, o que temos é isto.


Há quem goste e ache natural - eu não.


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