Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
por Francisca Prieto

 

Em 1974, Emily Kingsley, uma das argumentistas da famosa série televisiva Rua Sésamo, teve um filho a quem foi diagnosticado Síndrome de Down logo nas primeiras horas de vida.

 

Foi-lhe dito pelo médico assistente: “Your child will be mentally retarded. He’ll never sit or stand, walk or talk. He’ll never read or write or have a single meaningful thought or idea. The common practice for these children is to place them in an institution immediately”. O médico foi tão longe que chegou a aconselhá-la a ir para casa e dizer aos amigos e familiares que a criança tinha morrido à nascença.

 

Em 2012, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, convidou a actriz Lauren Potter, portadora de Síndrome de Down, para assessora do Comité para Portadores de Deficiência Intelectual.

 

A actriz, famosa pela sua participação na série televisiva Glee, partilhará com o líder mundial os seus pontos de vista sobre temas tão relevantes como a educação, a posse de habitação ou a profissionalização de pessoas com este tipo de deficiência.

 

Potter irá juntar-se a outros 33 oficiais do governo para trabalhar na mudança e Obama sente que se trata de um elemento com uma enorme mais valia. Afirma “Sinto-me grato por estas talentosas e dedicadas pessoas terem concordado em desempenhar este papel e dedicarem o seu talento para servir o povo americano. Estou desejoso de trabalhar com eles nos próximos meses e anos”.

 

Não sei quantos pais, mães, professores e técnicos foram precisos durante estes trinta e oito anos para passar de um extremo a outro. Mas sei que serão precisos outros tantos e mais trinta e oito anos para que um dia as Lauren Potters deste mundo já não sejam notícia.

tags:

tiro de Francisca Prieto
tiro único | comentar | gosto pois!

3 comentários:
De jfd a 14 de Fevereiro de 2012 às 14:59
Gosto!


De João Delicado a 15 de Fevereiro de 2012 às 16:38
Os Estados Unidos - enfim - parecem capazes de conciliar o inconciliável... ou criar fracturas naquilo que é semelhante. São de extremos. Por exemplo - considerando-se um país "avançado" - não percebo como podem continuar a promover algo tão bárbaro como a pena de morte...

Mas esta história aqui relatada é uma óptima notícia! Obrigado Francisca pelo exemplo que enche de esperança!


De Francisca Prieto a 16 de Fevereiro de 2012 às 08:56
Ó João, depois de ter escrito isto fiquei foi a pensar que daqui a 38 anos os jovens com Síndrome de Down serão, mas é, uma espécie em vias de extinção. E isso deixa-me avassaladoramente triste, não pelo facto em si (seria óptimo que alguém arranjasse uma forma de profilaxia), mas por aquilo que, neste momento, está em causa: diagnósticos pré-natal, decisões tomadas sem qualquer tipo de informção ou conhecimento de causa, médicos a aconselharem interrupções de gravidez de forma leviana, enfim.

Se calhar, nunca deixarão de ser notícia.


comentar tiro

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds