Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
por Francisca Prieto

 

A minha filha Rita é vítima de um fenómeno insólito. Nasceu senhora quarentona, daquelas baixinhas e assim para o gorducho, que andam sempre com uma malinha no braço. Das que emitem muitas opiniões sobre todos os assuntos e se metem na vida de toda a gente.

 

Um dia, foi à máquina de lavar, encolheu e perdeu misteriosamente a fala.

 

São evidentes os esforços que tem feito para voltar ao estado normal. Mas os avanços têm sido claramente mais morosos do que ela gostaria.

 

Passa o dia a correr pela casa a dar muitas instruções, a liderar movimentos e a meter o bedelho onde não é chamada.

Não perde pitada de uma conversa e tem sempre opinião convicta sobre muitos assuntos, não se inibindo de a expressar de dedo em riste e sobrancelha franzida.

 

Nasceu a exigir toda a atenção a que tem direito, sabendo que, por ser a quarta, só com muita gritaria poderia deixar bem demarcado o seu território. De tal maneira que, em pequena, não se safou de ficar conhecida por “menina Odete”, por associação directa à histórica deputada Odete Santos com quem tem várias parecenças de temperamento.

 

Quando lhe pedimos para enunciar a sua lista de desejos para a carta ao Pai Natal, foi peremptória: “Quero dois presentes cor-de-rosa”. Porque é evidente que no seu mundo não existe outro tom que não seja o cor-de-rosa.

 

A Rita está destinada a grandes feitos. Acredito que chegue a Primeiro Ministro da Nação. É infinitamente chata mas tem carisma comprovado junto de todas as baby-sitters que alguma vez lhe prestaram assistência, não dá confiança mas lança um charme irresistível a qualquer visita e tem sempre o cabelo num estado de compostura de fazer inveja à Manuela Eanes.

 

Mas às vezes comporta-se como um perfeito bebé (o que nem se pode considerar dissonante no quadro da política actual). Um destes dias, estando-se a portar mal, peguei-lhe ao colo e perguntei-lhe em tom zangado: “o que é que a Rita é?”. Respondeu-me baixinho “É o bebé da mãe”.

 

É gira, a minha filha Rita. Só não sei bem é o que é que lhe hei-de fazer. 


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2 comentários:
De Desconhecido Alfacinha a 17 de Fevereiro de 2012 às 11:15
Muita, imensa saúde e longos anos de vida!


De k. a 17 de Fevereiro de 2012 às 14:21
o.o
O que há a fazer? Então, candidatar a menina a Primeira Ministra - faria melhor figura que os nossos politicos, certamente.



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