Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012
por João Gomes de Almeida



Público. Você, que é um satírico, tem poemas de uma grande melancolia...

 

FAP. Nestes trinta anos a fazer versos, se me reconheço em algo é na nostalgia. Às vezes digo, para me auto-iludir, que sou um romântico, um ultra-romântico, um sentimental, um rural por oposição ao citadino seco, mas de facto sou um nostágico. Uso pouco a palavra saudade. A saudade é bonita, dá para o Carlos do Carmo e a Amália cantarem. A nostalgia pressupõe amigos que morrem; mulheres amadas que desaparecem; filhas que crescem e já não são como eram em pequeninas; eu que já não tenho a destreza dos vinte anos, já não jogo à bola, já tenho digestões difíceis. A nostalgia não está devidamente contemplada na poesia portuguesa. À força de tentarmos fazê-lo passar por uma categoria filosófica menor chamada saudade, esquecemo-nos de que o tempofoge e ninguém o agarra.

 

Entrevista a Fernando Assis Pacheco realizada por Rogério Rodrigues e Torcato Sepúlveda (Público, 24.02.1991)


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