Bebido ontem ao almoço, este finíssimo Borgonha duriense – sponsored pelo meu tio P. – prova que às vezes vale a pena sonhar e cometer pequenas “loucuras” (palavras de Dirk Niepoort). Com uma frescura assinalável – e uma leveza incomum – este elegante Pinot Noir, vindimado em 2006 e engarrafado em 2008, encontra-se no seu ponto óptimo de consumo. Embora tenha porte para pedir meças a pratos de caça (aves), foi o parceiro ideal para um lombinho de porco assado no forno, com batatas à padeiro (assadas com pimentão, cebolas e cenouras e avivadas com uma malagueta de tamanho XL). O escorrupicho do copo (um elegante Schott) ainda acompanhou, com nível, um “tipo serra” de bom travo.
Feito exclusivamente com a casta rainha da Borgonha (sem tradição no nosso país) este vinho, elaborado com uvas nascidas e pisadas no Douro, reforça o meu niepoortismo militante e comprova que no mundo do vinho, como na vida, das mais improváveis combinações por vezes surgem as melhores surpresas. Será caso para dizer: sometimes wine imitates life.