Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
por José Aguiar

 

Se fosse gente, este vinho entraria para a faculdade no próximo semestre e estaria agora a inscrever-se no código para tirar a carta de condução. Bebido no ano décimo oitavo da sua existência, este Sancerre (oferta generosa do Senhor C. que o tinha esquecido na garrafeira), ontem por mim levado e consumido em casa do meu primo J., mais parecia um riesling alsaciano evoluído do que um sauvignon blanc. Apetrolado e glicérico, os anos de esquecimento transformaram-no num vinho decadente, de impressionante cor dourada, guloso e outonal.

 

Emparelhou magnificamente com um simples paté à laia de aperitivo e, repousando para dar lugar a um tinto intermédio do Paulo Laureano que acompanhou o prato principal, revelou-se saborosíssimo como fim de refeição, a pretexto de sobremesa. Vinda de França em tenra idade para Portugal, esta garrafa passou  a infância e a adolescência queda e ignorada no breu. Sacrificada ao atingir a maioridade, dela já não reza a história. Fica pois, in memoriam, o retrato de mais uma boa surpresa vínica que passou.

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