Quinta-feira, 1 de Março de 2012
por José Meireles Graça

As pessoas de esquerda têm crenças estranhas: não adianta fazerem doutoramentos em Economia, terem experiência de vida e conhecimentos de História, serem simpáticas e inteligentes, bem-sucedidas, e gerirem ou terem gerido empresas - acham sempre que os investimentos na mão do Estado e na mão de empresários têm a mesma probabilidade de sucesso.

 

Nos casos mais graves e difíceis de tratar, infelizmente pandémicos, o mecanismo da criação de riqueza escapa-lhes, e por isso acreditam que em tirando aos ricos para dar aos pobres ficam todos remediados.

 

A este senhor, por exemplo, não lhe falem de evasão fiscal, expatriação de capitais, retracção do investimento e tiros nos pés - ele não sabe nada disso. Sabe que se um tem 5 franguinhos e outro só um, em repartindo equitativamente apanham uma barrigada de cabidela. Agora quem criou os pitos, e se está disposto a criar mais, isso ele não tem vagar para pensar.


Senhores destes dá-se um pontapé numa pedra e aparecem vários. E chegam ao Poder, e fazem estragos, e não aprendem nada.


Mas isso é lá com os Franceses. Eles têm turismo, champanhe, perfumes, queijos e a Renault. Depois do devaneio e dos prejuízos caem na real e a terra é rica.


Mas à cabeça da "Europa" da política fiscal comum, dos orçamentos comuns e das tolices comuns pode chegar gente desta - já lá estão, à espera de vez.


Separados como estamos desde antes da queda do Império Romano do Ocidente, há sempre algum regime em algum lugar a fazer asneiras; e algum regime em algum lugar a adiantar-se no "concerto das Nações" - a existência do concerto das Nações é, ao contrário do que se diz,  a melhor garantia de não virmos a ter muitas nações sem conserto.


Quem avisa amigo é.


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15 comentários:
De l.rodrigues a 1 de Março de 2012 às 12:33
Sabe qual foi o país que durante duas décadas cobrou 91-94% aos seus cidadãos mais ricos?
E que para muitos essa foi uma "idade de ouro"?

Lamento muito, mas a economia política não é uma história da carochinha.


De k. a 1 de Março de 2012 às 13:17
E viva o Senhor Hollande!

Sociedades mais igualitárias são mais prósperas:

http://www.youtube.com/watch?v=yWGFBhpb_FE&feature=share


Há investimentos e investimentos; Empresas investem em actividades produtivas para aumentarem a sua riqueza, o Estado investe em actividades que permitam aumentar a produtividade (redes, educação, etc.).

E é curioso, é porque muita gente achava que investimentos na mão do Estado e na mão de empresários NÃO têm a mesma probabilidade de sucesso, que se inventaram as PPP.


De José Meireles Graça a 1 de Março de 2012 às 15:49
O erro das PPPs consistiu em os contratos de concessão eliminarem o risco para os privados, ou seja, não serem investimentos privados típicos. Provavelmente, se as concessões comportassem o mesmo tipo de riscos que os privados normalmente têm, para algumas não haveria concessionários. E, se houvesse, a maior parte do problema seria deles e não nosso. Lembro que a maior parte das PPPs foram da responsabilidade de socialistas. Quanto ao estudo, prova que certas sociedades admitem graus superiores de igualdade económica sem comprometer o investimento privado, por ainda assim sobrarem recursos e os naturais terem um sentido afirmado do colectivo. Isso não é generalizável. De resto, causa não é a mesma coisa que correlacção. Se fosse, Cuba seria um Eldorado.


De Cobarde a 1 de Março de 2012 às 17:52
"O erro das PPPs consistiu em os contratos de concessão eliminarem o risco para os privados, ou seja, não serem investimentos privados típicos. "

Exacto, dai serem do tipo de investimento que devia ser exclusivo do Estado


"Lembro que a maior parte das PPPs foram da responsabilidade de socialistas."

O modelo de PPP entrou em voga na academia à uns anos, e foi implementado no mundo inteiro independentemente dos governos - e depois verificou-se que não prestava, exactamente como você observa, porque o risco é dificil de medir & partilhar. Como existem investimentos cujo custo é claro, mas o proveito é difuso (por exemplo, iluminação publica, ou segurança, ou estradas), mas vale ser o estado a fazer o investimento. Ao menos tem o controlo todo.


"De resto, causa não é a mesma coisa que correlacção. Se fosse, Cuba seria um Eldorado."

Tem toda a razão, correlação não implica causualidade. Mas ajuda - por exemplo, tecnicamente não está provado que fumar cause cancro do pulmão. Simplesmente, existe uma correlação tão forte, que não é crivel que nao exista causualidade. Passa-se o mesmo com o estudo.
E cuba não é uma sociedade livre - por definição, existe uma clique dominante, portanto nem pode ser considerada uma sociedade egualitária, na minha opiniao


De Natália Santos a 1 de Março de 2012 às 13:20
Pois, duvido que a pessoa que arranjou os pitos e as rações seja a mesma que os criou, isto é, a que os tratou bem para que crescessem, daí nascessem novos pitos para os quais já só era preciso comprar novas rações.

Aquele pequeno problema do esquecimento do factor trabalho...


De José Meireles Graça a 1 de Março de 2012 às 15:23
Não, Natália Santos, não esqueci o factor trabalho - sem trabalho nada se faz. Mas para haver trabalho é preciso haver empresas; para haver empresas é preciso quem nelas invista; onde há muitas e boas empresas há uma economia vibrante; onde há muitos e bons trabalhadores, mas não muitas e boas empresas, há ressentimento e miséria.


De l.rodrigues a 1 de Março de 2012 às 15:53
"onde há muitos e bons trabalhadores, mas não muitas e boas empresas, há ressentimento e miséria."

Ou não. Conhece Mondragon? É uma espécie de anti-John-Galt.

http://en.wikipedia.org/wiki/Mondragon_Corporation

E antes que grite "Comunas!", teve como principal impulsionador um sacerdote. Os trabalhadores juntaram-se e fizeram empresas. Deles, não de um qualquer "empreendedor".


De João André a 1 de Março de 2012 às 14:28
É tão fácil fazer declarações genéricas bombásticas e parvas não é? Exemplo:

«As pessoas de direita têm crenças estranhas: julgam sempre que escravizar os mais fracos em campos de concentração e depois queimar os seus restos mortais lhes permitirá criar espaço vital e fazer crescer a sociedade».

Parvo, não é? Alguns terão certamente esta visão, mas nãso faz sentido medir toda a direita por essa bitola. Tal como não faz sentido medir uma pessoa (ou toda a direita) pelas declarações equivocadas sobre uma suspensão da democracia por seis meses.

Então porque razão escrevem alguns trolls coisas como «As pessoas de esquerda têm (...)» com base numa declaração que pode ou não ter sido séria? E mesmo que seja uma proposta séria (que não passa, como é óbvio), porquê atirá-la aos pés de um segmento da população?

É por causa de gente como esta que o debate não pode ser sério. JMG não parece acreditar que ser-se de esquerda é legítimo. Suponho que gostaria de lhes tirar o direito de voto.


De José Meireles Graça a 1 de Março de 2012 às 15:32
Acho perfeitamente legítimo ser-se de esquerda, João André. Tão legítimo como ser-se de direita. E não acho "parvo" ser-se de esquerda. Apenas errado. De resto, se não houvesse esquerda e direita não haveria alternância de poder, apenas de pessoas. Mas dê-me licença para caracterizar genericamente a esquerda assim. Se for parvoíce, é a minha parvoíce, à qual todos temos direito.


De João André a 1 de Março de 2012 às 16:15
Ainda bem, mas deixo um comentário extra: acha "errado" ser-se de esquerda? Isto faz-me uma confusão que não tem ideia.

Explico-me: sou de esquerda, mas não acho que ser-se de direita é minimanete errado ou certo. Apenas e só uma opção. Posso achar certas medidas erradas para os fins a que se propõem, mas nunca um conceito ideológico. Pessoalmente prefiro uma via de esquerda para a constituição de uma sociedade, mas admito perfeitamente que haja quem prefira uma via de direita. Digamos (muito grosso modo) que a de esquerda se basearia em estabelecer bases mínimas de igualdade e depois criar riqueza e a de direita seguiria pelo caminho de criar riqueza esperando que esta garantisse condições mínimas de vida. Não me incomoda que haja quem prefira a segunda via. Eu é que prefiro a primeira.

Mas pronto, como diz, cada um tem direito à sua opinião. Apenas lhe peço (é mesmo só um pedido) que não generalize tanto. É o primeiro passo (na minha opinião) para a irrelevância ou populismo (dependendo da capacidade de retórica).


De João André a 1 de Março de 2012 às 14:31
PS - O "plat-pays" de Brel era a parte ocidental da Bélgica, não a Holanda. Se quiser a Holanda, chame-lhe "vlakke land"...


De José Meireles Graça a 1 de Março de 2012 às 15:37
Touché, João André, é como diz. Se eu tivesse pergaminhos de escritor a defender, diria, com alguma má-fé: ora, são liberdades poéticas.


De jfd a 1 de Março de 2012 às 17:13
EHheheehhe ;)


De MCosta a 2 de Março de 2012 às 16:01
Considere esta experiencia mental, a criação de um local no Mundo onde só existissem pessoas que pensem e actuem em todos os domínios da vida (seja pessoal ou profissional) como JMG certamente pensa e faz. Isso seria exequível ? Seria suportável ? Seria seguro? Seria humano?
Fica a ideia, cumprimentos


De José Meireles Graça a 2 de Março de 2012 às 16:27
Seria certamente um lugar muitíssimo chato - só poderia dizer mal de mim. E embora houvesse abundantes razões para o fazer o tema esgotar-se-ia rapidamente. Cumprimentos.


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