Quinta-feira, 1 de Março de 2012
por Alexandre Guerra

 

O drama do desemprego elevado e crónico não é uma realidade nova para quase todo o mundo. A excepção tem sido o Ocidente que, tirando episódios sombrios da história laboral, tem tido, sobretudo a partir da II GM, uma vivência próspera. Mas, os sinais da "doença" já se vinham manifestando há algum tempo nestas mesmas sociedades desenvolvidas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a outrora fogosa indústria automóvel começou a definhar no final dos anos 70, por causa, entre várias razões, da feroz concorrência nipónica e sul coreana. Cidades como Detroit tornaram-se no retrato de uma América a entrar em decadência ou, pelo menos, a transformar-se na sua base produtiva.

A crise financeira e económica espoletada em 2008 veio apenas acelerar uma tendência, condenando ao desemprego milhões de pessoas em vários países ocidentais, muitas dos quais jovens, que nem sequer conseguem chegar ao mercado de trabalho.

Sem esperança no futuro e sem o reconhecimento (numa óptica hegeliana) proveniente do trabalho, estes jovens andam à deriva, conscientes de que estão condenados a serem párias numa socidade que não tem capacidade para os acolher.

Já nos anos 70 estes jovens começavam a vaguear nos Estados Unidos, sem lugar numa indústria tradicional que já não absorvia aquela mão de obra.

A música Born to Run de Bruce Springsteen, mítico álbum homónimo de 1975, retratava, de certo modo, o desespero de uma juventude, errante e assustada, ciente de que a sociedade não a ia abraçar.

 

"In the day we sweat it out in the streets of a runaway American dream

At night we ride through mansions of glory in suicide machines
Sprung from cages out on highway 9,
Chrome wheeled, fuel injected

and steppin' out over the line
Baby this town rips the bones from your back
It's a death trap, it's a suicide rap
We gotta get out while we're young
'Cause tramps like us, baby we were born to run."


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1 comentário:
De João André a 2 de Março de 2012 às 11:36
É verdade que aponta "várias causas", mas penso que a principal causa para aquela crise da indústria automóvel nos EUA foi o choque petrolífero. Os carros americanos não estavam feitos para poupar combustível e foi a partir dessa janela que entraram os japoneses. Depois a história ganhou vida própria, mas penso que o choque petrolífero foi o rastilho inicial (embora seja admissível dizer que a situação iria surgir em qualquer dos casos, mais cedo ou mais tarde).


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