Sexta-feira, 2 de Março de 2012
por Francisca Prieto

 

 

Passo os olhos por um estudo da Procter & Gamble que me oferece suporte científico para alguns dados curiosos que, empiricamente, já tinha verificado (ler sofrido) na pele.

 

O estudo debruça-se sobre o papel que as mães desempenham na nova sociedade e verbaliza, muito rapidamente, aquilo que eu tenho vindo a personificar de há vários anos para cá: que as mulheres estão a abandonar progressivamente o papel de esposas e mães para assumirem uma postura de gestoras da família.

Este dado é tão factual cá para as minhas bandas que, ainda um dia destes, estando com dificuldades em conseguir tempo de antena com o meu sócio, lhe telefonei a sugerir que agendássemos uma Assembleia Geral de Sócios para fechar vários assuntos pendentes. E assim se reuniu o Conselho de Administração, a uma sexta-feira à noite, num restaurante perto de casa mas longe das vozes reivindicativas dos colaboradores. 

Costumo queixar-me frequentemente do invisível salário e da ausência de subsídios, bem como dos trabalhos forçados nas férias e da má criação do staff, sendo que o episódio que anualmente mais me transtorna é o facto de o jantar de Natal da empresa ser a própria consoada.

 

Porém, mais para a frente, o estudo fornece um dado reconfortante: que as mães portuguesas são as que recebem mais sinais de gratidão dos seus filhos, entre os países da Europa Ocidental.

Posso afiançar que, em relação a esta conclusão, há 75% de verdade neste lar português. Três quartos da minha descendência atafulha-me diariamente com abraços, palavras meigas ou simples sorrisos. Há porém 25% da amostra que se afasta da maioria e que encara a progenitora como um mal necessário, uma servente com quem co-habita e que podia claramente desempenhar melhor as suas funções.

 

Por último, o estudo afirma que, quando interrogadas sobre a forma como preferem ser agradecidas, as mães portugueses escolhem o “abraço” (71%) como a melhor forma de agradecimento, seguido de um “obrigado” (13%), e que apenas 3% das mães desejariam ser agraciadas com umas “férias/intervalo” como bónus.

 

Não me convidaram para o painel, obviamente.

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