Em economia, a austeridade significa rigor no controle de gastos. Uma política de austeridade é requerida quando o nível do deficit público é considerado insustentável e é implementada através do corte de despesas. Normalmente, verifica-se quebra do padrão de vida da população quando medidas de austeridade são adoptadas a fim de recuperar o equilíbrio fiscal. Por definição, a austeridade não é causa, é consequência.
Em tempos em que a palavra austeridade é pronunciada com tanta ligeireza, capturando cada interveniente para si próprio a interpretação que mais lhe convém que os outros entendam, e vis-a vis a indigência que grassa nas redacções da nossa imprensa, a qual prefere palavras de ordem fáceis a análises cuidadas, venho hoje colocar a austeridade no divã e analisá-la à luz da bondade do seu uso.
A AUSTERIDADE DO PS
Para o PS viúvo de Sócrates e do modelo de poder que aquele consumou, a austeridade nasceu com a eleição de Passos Coelho. Antes disso não existia. Ou antes, existir existia mas para eles não existia, porque para os coveiros da nossa bancarrota o facto de terem levado à exaustão a economia portuguesas, as famílias portuguesas, as empresas portuguesas e terem esgotado o crédito, o nosso e o dos nossos credores internacionais, isso não é austeridade, é a política "incompreendida" pelos portugueses que, coitados, não quiseram ficar como "o cavalo do inglês" que, depois de treinado a não ter fome, não se habituou a não comer.
Para esta noção de austeridade, os défices ocultos e as imparidades que andaram a esconder aos portugueses, não são consequência da incompetência e irresponsabilidade da gestão do governo PS, são danos colaterais. Colaterais de uma "crise importada" e não de um Estado sobredimensionado que sustentava o seu modelo ideológico. Colaterais de uma realidade económica que se recusam a assumir.
E é nesta recusa que encontramos a verdadeira razão da austeridade do PS : a angústia de não voltar a haver os meios que financiavam o seu modelo de poder. Vão continuar a usar a austeridade como chavão na esperança vã de que o futuro possa ser igual ao passado.
A AUSTERIDADE DO GOVERNO
Tal como no judo se aproveita o movimento do adversário para o controlar, o Governo, após assinatura do memorando e confrontando-se com défices ocultos que o anterior governo tinha omitido e que agravaram substancialmente a situação económica portuguesa, aproveita o acordo e as medidas de redução de défice para reestruturar a economia, eliminando os estrangulamentos que nos condicionam nos últimos trinta e cinco anos, sustentados em tabus ideológicos falidos e neo-realistas.
A austeridade do Governo é o trampolim para uma nova economia portuguesa. A austeridade do governo é um meio, não um fim, que permitirá simultaneamente cumprir o acordo com os nossos credores e criar a plataforma a partir da qual se estabelecerão as medidas de crescimento económico e criação de emprego. Que aguardamos e todos desejamos que estejam próximas.