Segunda-feira, 5 de Março de 2012
por José Meireles Graça

Tenho pelas matrículas automóveis actuais uma aversão difícil de explicar. Mas tento:

Os veículos automóveis têm que ser identificados, para facilitar o trabalho da polícia e a vida dos condutores em caso de roubo, acidentes, ilícitos vários, etc. Isto é pacífico e, por o ser, cada Estado criou o seu ou os seus sistemas de identificação desde os alvores da circulação rodoviária. No nosso caso, as discretas placas com fundo preto e letras brancas serviram modestamente durante décadas, não incluindo sequer a identificação do país. Muitos condutores, aliás, acrescentavam um orgulhoso "P" em placa autónoma - o carro é uma extensão da casa e as pessoas gostam de fingir que fazem viagens e rodear-se de bibelots, arrebiques e inutilidades sortidas.

Depois veio a União Europeia. E as humildes placas foram modernizadas, passando a incluir o ano e mês do registo, num horrível fundo amarelo (para quê, Santo Deus?), num extremo, e, no outro, a bandeira da UE.

Deixemos de lado o amarelo, cor dos camelos que tiveram a ideia e dos que a aprovaram.

Mas a bandeira da UE, porquê? A UE não é um local nem uma nacionalidade, é uma ideia. E, sendo embora uma ideia legítima, pô-la nas placas faz tanto sentido como pôr uma foice e um martelo, se Jerónimo fosse chefe do Estado, ou um crucifixo, se o País fosse confessional.

Sucede que alguns cidadãos - uma minoria, como já foram todas as maiorias - não são europeístas. E obrigá-los a fazer propaganda a uma ideia que detestam, sob pena de multa, é um abuso.

Mas de propaganda está a Europa cheia. Vejam por exemplo este vídeo: Daniel Hannan admite que haja nele racismo; eu não. O que nele vejo são burocratas pagos a peso de ouro, gastando o dinheiro dos impostos para garantir a sobrevivência da organização e a eternização dos lugares.

No, Daniel, it doesn't seem racist to me. Just s..t.


tiro de José Meireles Graça
tiro único | comentar | gosto pois!

1 comentário:
De João André a 6 de Março de 2012 às 11:13
Só por curiosidade: já saiu da União Europeia com o seu carro? E se o fez, reparou no tratamento dado a condutores cuja matrícula era da UE em comparação com aquela dada aos outros?

O mesmo se aplica nos controlos de passaportes mesmo sem levar carro. O símbolo da UE faz muita diferença.

Claro que isto não implica a ausência de diferenças dentro da UE (um/a passaporte/matrícula da Alemanha, Holanda ou França são outra loiça), mas posso garantir que aquela bandeirinha faz muita diferença.


comentar tiro

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds