Quarta-feira, 7 de Março de 2012
por José Meireles Graça

Já se percebeu que o novo Acordo Ortográfico entrou mas não entrou em vigor, está aprovado por todos os países de língua Portuguesa excepto dois, desperta consenso entre três filólogos e quatro políticos, bem como acrimónia nos restantes, o Governo está unido em torno do assunto, embora não saiba qual ele é, nos jornais os articulistas avisam que escrevem segundo o antigo Acordo, embora também escrevam sem avisar nada e o aviso, de todo o modo, não interesse a ninguém.


Aqui na blogosfera, a confusão não se nota porque é o estado normal; e a Fernanda Câncio tem um acordo só dela e de alguns poucos surrealistas da Língua, que agora tem seguidores, e que terá, a breve trecho, dissidentes.


A mim tanto se me dá - que se amanhem todos. Mas temo o dia em que trocar de software, se a ortografia de 1945 desaparecer do corrector.


Do meu canto obscuro, faço um apelo singelo à Microsoft Portugal e demais casas que com desvelo se ocupam de nos fiscalizar as asneiras: fazem favor de incluir, além do Português de Portugal e do Brasil (e, se quiserem, das restantes antigas colónias), o Formulário Ortográfico de 1911, o de 1945 e o actual, que ainda não é mas talvez seja, excepto se não for.


Eu vou tentar usar o de 1911, por pura pedanteria, e, se não me adaptar, regresso à maçada salazarista de 1945.


Estou disposto a pagar um pouco mais. Atenção, ó casas de software ávidas de turnover: somos muitos.


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3 comentários:
De Samuel de Paiva Pires a 7 de Março de 2012 às 17:03
Caro José, a Microsoft já foi previdente a esse respeito, pelo menos quanto ao Office. Existe uma utilidade disponibilizada pela mesma que permite escolher qual das grafias pretende utilizar na verificação ortográfica - http://www.microsoft.com/downloads/pt-pt/details.aspx?FamilyId=470338AC-EF76-436A-B62E-35C8955A9874&displaylang=pt-pt

Aguardemos para ver o que acontece ao nível dos próximos sistemas operativos...


De José Meireles Graça a 7 de Março de 2012 às 17:51
Obrigado, Samuel, ignorava. Maldita confusão: em algum momento depois de 1945 deve ter havido uma mini-reforma que eliminou, por exemplo, o acento grave nos advérbios terminados em "mente". Ou seja: o que chamamos grafia de 45 já nem de 45 era. Nisto como em muitas outras coisas, precisávamos de ministros que se deitassem cedo e levantassem tarde - não fazerem nada é muitas vezes uma benção.


De Samuel de Paiva Pires a 7 de Março de 2012 às 17:56
Subscrevo! Infelizmente a psicose de "fazer/mudar alguma coisa" é o pão nosso de cada dia de muitos (des)governantes.


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