Quarta-feira, 21 de Março de 2012
por Pedro Correia

As batalhas políticas começam a ganhar-se ou a perder-se no domínio das ideias. E as palavras são fundamentais neste confronto. Tomemos como exemplo a expressão "greve geral", de que tanto se tem usado e abusado por estes dias: até que ponto esta expressão consegue condicionar a realidade, procurando adaptá-la a moldes pré-concebidos?

Nada melhor que submeter as palavras ao crivo dos factos. No próximo dia 29 realiza-se uma greve geral em Espanha. E chama-se justamente greve geral por ser convocada pelas duas principais centrais sindicais do país - a UGT e as Comissões Operárias. Em Portugal, uma semana antes - já amanhã - realiza-se também uma greve. Mas devemos chamar-lhe "geral"? Não. Greve geral foi a de 24 de Novembro. Por ter sido convocada pelas duas centrais - CGTP e UGT. A de amanhã não será uma greve geral, digam os seus organizadores o que disserem. Porque a União Geral de Trabalhadores não subscreveu esta convocatória, apenas assumida pela CGTP, que perdeu 16% dos sindicalizados em quatro anos.

É matéria de facto, não de opinião. Enquanto as palavras valerem o que ainda valem.


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