Quarta-feira, 28 de Março de 2012
por José Meireles Graça

"Os saudosistas da escola salazarista são muito especiais: tecem loas ao método tradicional daquele tempo, à memorização matraqueante de datas, nomes de rios..."

 

Li isto com satisfação, julguei que era comigo. Mas não, o inimigo era o Ministro Crato - é sempre a mesma coisa, às pessoas insignificantes como eu ninguém insulta.

 

Realmente acho que o sistema salazarista de educação primária e secundária, se se lhe descontar o nacionalismo estreme, a doutrinação católica forçada, a glorificação do regime e alguma violência e autoritarismo; e se se lhe fizer a necessária actualização científica e alguma correcção curricular (por exemplo, o Francês deixou de ter a importância que tinha ainda há poucas décadas) compara bem com o descalabro abrilista.

Não é que as gerações rascas tenham maiores quantidades de calinos ou sequer de ignorantes; pelo contrário, a massificação do ensino levou a que o número absoluto de alunos com conhecimentos e até brilhantes tivesse crescido - a pool de gente a quem foi ministrado algum conhecimento é muito maior.

Mas isto foi feito, como aconteceu com outros sectores que registaram algum sucesso, sem perguntar se a comunidade podia sustentar indefinidamente despesas crescentes; à boleia da ideia fantasiosa de que o investimento na educação é sempre reprodutivo; e destruindo selvaticamente tudo o que o regime defunto pôs de pé, na crença de que atirar fora a água suja do banho, e o menino com ela, se justificava porque estava tudo infecto.

O Sérgio Lavos, o Professor Santana, inúmeros outros, devem achar que isto é assunto para especialistas, brandindo estatísticas e estudos - certas estatísticas e certos estudos, consoante se está à direita ou à esquerda e se pertence ou não à burocracia pública e a grupos de interesses.

 

A mim basta-me meia dúzia de princípios sãos, e os olhos e ouvidos abertos, para: ver e ouvir professores de história com boas classificações mas incapazes de se localizarem no tempo histórico; professores de Português que escrevem e falam num dialecto tosco da Língua que supostamente ensinam; e guardar um militante cepticismo em relação às teorias pedagógicas do Clube dos Poetas Mortos e modernidades sortidas.

Crato fez e vai fazer muitas asneiras, como outros antes dele. Detalhes, que está no caminho certo - como os outros não estiveram.


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