Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011
por Pedro Reis

Como tive oportunidade de comentar ontem na RTP2, quatro perguntas se impõem neste tema se queremos recuperar a credibilidade externa ainda perdida e em fase de "reconstrução":

  • Como pôde isto acontecer ? Portugal definitivamente tem um défice de supervisão. As obras não foram nem secretas nem subterrâneas. ninguém se lembrou estes anos todos de perguntar como seriam pagas ?
  • É um facto isolado? Convém auditar bem outras situações anómalas, nomeadamente os Açores onde ainda me lembro dos expedientes de Carlos César para "compensar" os cortes de Sócrates...
  • Como se corrige (tapa) o buraco? Como vão ser repartidos os sacríficios adicionais faz "alguma" diferença.
  • Como garantimos que tal não volta a acontecer? A magna questão tão antinatura na nossa cultura...

E mesmo que tal seja devidamente esclarecido já não nos safamos dos custos reputacionais quando internacionalmente achavam que agora éramos um livro aberto e afinal corremos o risco que nos vejam como uma caixa negra de surpresas. ou melhor, caixa rosa de descalabros.

 

E, já agora, acho de um grande desplante a posição socialista uma vez que o caso Madeira é uma versão S do caso Portugal em tamanho XL que Sócrates nos deixou quanto ao endividamento brutal presenteado às gerações futuras. Para além do facto de quando o (des)Governo socialista fez o disclosure da nossa situação à troika de duas uma: ou não sabia e foi incompetente ou sabia e agiu de má fé. Bela escolha. Bela fotografia.

 

Quanto à subquestão se Passos Coelho vai ou não à Madeira em período eleitoral, seja qual for a decisão tenho a certeza que nunca subjugará a sua condição de PM à de Presidente do PSD, pelo que o que tiver de dizer será dito.


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3 comentários:
De monge silésio a 19 de Setembro de 2011 às 22:41
Pedro,

A questão da Madeira é aquela atento o montante e a oportunidade. No resto, autarquias, empresas públicas...o mesmo.

A Madeira pedia crédito para pagar funcionários há cerca de 2 anos...

Num país em que todos gostam da batota, e fazem questão da mesma (o chico que dá palmada nos impostos...e é elogiado), gosta-se da borla, e da obra qualquer que ela seja...dá nisto.
Há mais. O Centrão dos últimos 20 anos deu cabo disto.


De Ricardo Perna a 20 de Setembro de 2011 às 09:55
Caro Pedro,

Permita-me discordar de si: eu acho que irá sempre subjugar a vontade de PM à vontade de presidente do PSD. Se tal não fosse, há muito que Alberto João Jardim teria saído do poder na Madeira, pois só tem feito asneiras atrás de asneiras.

Não considero que a culpa seja de PPC, até porque, como diz o Pedro, há anos que as obras andavam a ser feitas e todos sabiam. Aliás, é o INE que mostra estas contas, pelo que elas são públicas e não estão escondidas.

Todos sabem do problema, e todos, até agora, sacudiram a água do capote, na esperança de que a batata quente não lhes rebentasse nas mãos. PPC, ao afirmar que quem dá confiança política e quem decide é o povo da Madeira, está a fazer o mesmo: sacudir a água do capote. Ele sabe que, com a saída de Alberto João Jardim, o PSD poderá perder a Madeira, e no partido ninguém quer isso. Acha mesmo que, se fosse só a vontade de PM, que PPC não teria já tomado outras medidas mais energéticas? Parece-me ingénuo pensar o contrário...


De George Sand a 20 de Setembro de 2011 às 14:44
Passos vai à Madeira? Se é para o "pas de deux"...é capaz de ser melhor despachar-se


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