Segunda-feira, 9 de Abril de 2012
por Francisca Prieto

 

À nascença calhou-me na lotaria ser bafejada com uma grande, unida e bem disposta família. E, não obstante ao longo dos anos ter andado à chapada com as minhas estimadas irmãs sempre que se afigurou necessário, é verdade que não há semana em que não sejam trocados vários telefonemas de prolongada duração onde ficamos a saber montes de pormenores das vidas uns dos outros.

 

Não é linear que, em caso de avaliação, o grau de importância dos temas das conversas fosse considerado o mais relevante por alguém de outro apelido, já que pode acontecer, por exemplo, um de nós estar com uma gripe de caixão à cova mas esquecer-se de o mencionar porque ligou só para partilhar um trocadilho hilariante que acabou de passar num filme argentino.

 

Os meus filhos costumam ignorar este transe familiar e, ao fim de uns quantos minutos, falam comigo como se eu não tivesse um aparelho agarrado ao ouvido e não estivesse, efectivamente, em pleno diálogo com terceiros.

 

Ora na semana passada, tinha eu desligado uma destas chamada infinitas onde se falava de um par de livros e se recomendavam outros tantos filmes quando o Prietito mais velho comenta que, apesar de não saber com quem eu estava a falar, estava capaz de jurar que era com o tio Zé. Eu ri-me, confirmei as suas suspeitas e aproveitei para me lançar na evangelização de Caim e Abel. Que um dia gostaria muito de ver os meus quatro filhos a serem amigos, a ajudarem-se uns aos outros, enfim, a manterem contacto regular. E, na esperança de lhes dar uma imagem mais explícita, perguntei ao Rodrigo se ele não achava giro daqui a uns trinta anos fazer como eu e o tio Zé e pegar no telefone para ligar ao Manel.

 

O Manel, que é o primogénito e que, desde tenra idade, nunca percebeu onde é que nós estávamos com a cabeça quando resolvemos levar aquele anormalóide lá para casa, fez uma cara horrorizada e apressou-se a responder: “aviso já que se ele me ligar eu não atendo”.

 


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