Segunda-feira, 9 de Abril de 2012
por Francisca Almeida

Esta semana o jornal Público deu conta que o coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, pretendia afirmar em Atenas  que - e cito - "a rebelião dos gregos é um exemplo para todos" e que "as praças gregas são a voz da Europa". Confesso que, apesar de estar já habituada ao conhecido radicalismo do BE, não fiquei indiferente a tais declarações. Porventura a televisão de Francisco Louçã não transmitiu as mesmas imagens da praça Sintagma que tive a infelicidade de ver na minha?! Porventura pretende o BE ver, às portas da Assembleia da República, carros em chamas, homens encapuzados e escaramuças com as autoridades? É essa a alternativa da esquerda ao actual estado de coisas? Ironia do destino, uma greve de controladores aéreos  em França impediu Louçã de apelar à greve e à rebelião, logo no berço da democracia.

Seja como for, é por estas e por outras que o BE não é, e por este caminho dificilmente será, visto como um partido de governação ou de oposição séria à governação.  Porque aposta na política das ruas, em detrimento das respostas democráticas no seio do Parlamento e do Governo.

 

Por outro lado, o actual Governo não encontrará também no inseguro PS de Seguro uma oposição forte e - mais importante - um parceiro de reformas estruturais de longo prazo. As divergências no seio do partido passaram de discretas a ostensivas e ganharam uma dimensão de "Golpe de Estado" com a recente revisão dos Estatutos. O Grupo Parlamentar reflecte e protagoniza essas divergências, pelo que já nem aí a actual liderança do Partido Socialista, e à cabeça o líder da bancada Carlos Zorrinho, consegue disfarçar o tremendo incómodo em que se tornou a vida interna do Partido.

Poder-se-ia contudo pensar que são os próprios os principais prejudicados. E seria, de facto assim, não fossem as excepcionais circunstâncias políticas, económicas e sociais em que vivemos.

 

No momento actual é fácil perceber que quem perde é o país, os portugueses e a democracia. Numa altura em que o caminho de espinhos que teremos de trilhar para sairmos da difícil situação em que nos encontramos demanda uma especial serenidade, a esquerda radical apela à rebelião nas ruas. Num momento em que se exigem reformas estruturais de longo prazo, o principal partido da oposição e do arco da governação põe-se de fora e deixa em carteira a possibilidade de, chegando ao poder, inverter - a pretexto de qualquer cedência eleitoral - esse caminho reformista, com claro prejuízo para o país e para os portugueses.

O centro das preocupações de todos nós deve, por isso, estar também - ou até em primeira linha - no estado da oposição, cujo papel é hoje mais importante do que nunca.

 

E por cá?

 

Por cá o centro da polémica esteve, esta semana, unido em torno de uma varandim dourado plantado recentemente no Toural. Apesar das inúmeras utilidades que já lhe foram atribuídas, nomeadamente nas diversas fotomontagens que circulam nas redes sociais, parece não há forma de dar a volta aos "guimaranenses" de Ana Jotta...

 

(Crónica - Rádio Fundação, Guimarães)

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3 comentários:
De Francisco da Silva a 16 de Abril de 2012 às 14:02
http://artigo58.blogs.sapo.pt/32222.html

Carissíma tem aqui um post dedicado a si.



De Rodrigo Saraiva a 16 de Abril de 2012 às 14:55
Chico, Chico ...


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