Sexta-feira, 20 de Abril de 2012
por José Meireles Graça

Gente ingénua acredita que as campanhas anti-tabágicas, as proibições, as coimas, têm que ver com a defesa do direito dos não-fumadores a não serem fumadores passivos.


E os próprios não-fumadores acreditam que, se por momentos sentirem nas narinas o horrível aroma inconfundível do tabaco, a palpitação que imediatamente os aflige é já o prenúncio do cancro no pulmão que, infalivelmente, os vai abater dali a uns anos.


Estas crenças nasceram nos Estados Unidos, acompanhadas dos devidos estudos "científicos" - a moda dos wacko studies é uma criação local, mais genuína aliás do que as aculturações, que consistem em pegar numa tradição qualquer estrangeira, retirar-lhe o gosto e o requinte, se o tiverem, e acrescentar-lhe a marca do rebotalho local. Daí que seja normal o Presidente deixar-se fotografar vestido de cow-boy e com os pés em cima da secretária - a grosseria fica automaticamente promovida a autenticidade. O Povo gosta, exactamente como gosta de junk-food e pelas mesmas razões porque ainda hoje não sabe usar em simultâneo o garfo e a faca.


Infelizmente, naquela terra onde se incrustou a moda dos bonés com a pala a proteger o pescoço - a ver se o cidadão, no caso de não ser negro, se tisna de modo a ficar com aspecto de garnizé - existe uma tradição puritana. E essa tradição, que a modernidade oficialmente nega, manifesta-se na obsessão com o sexo, o crime e o castigo, e a repressão dos vícios.


Daí que a defesa dos direitos dos não-fumadores nunca tivesse sido, nem seja, mais do que a desculpa bem-pensante para impôr a virtude do corpo são, a ver se a alma também fica - sã.


Não acreditam? Pois leiam. Fernando Leal da Costa, esse, já deve ter lido, e no original, que o homem é Americano avonde.

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4 comentários:
De k. a 20 de Abril de 2012 às 13:24
"Estas crenças nasceram nos Estados Unidos, acompanhadas dos devidos estudos "científicos" - a moda dos wacko studies é uma criação local,"


Não são crenças, são estudos crediveis de autoridades crediveis, e não só Americanas. E há muitos, mas só uns exemplos rápidos:

http://www.surgeongeneral.gov/library/secondhandsmoke/report/fullreport.pdf

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC437139/?tool=pmcentrez

http://www.hsph.harvard.edu/research/christiani-mgh-studies/lung-cancer-study/


E existe um pequeno pormenor: Um fumador (activo ou passivo) tem mais probabilidades de ficar "doente". E quem paga os custos do tratamento somos todos. Portanto é logico permitir, numa perspectiva financeira, restrições a comportamentos claramente de risco - um bocadinho como já temos, sei lá, obrigatoriedade de usar cinto de segurança.


Enfim.
Deixe-me advinhar: Você também acha que a teoria da evolução nao presta - se temos o criacionismo, que é uma ideia muito mais antiga, para que mudar?


De José Meireles Graça a 20 de Abril de 2012 às 15:33
k, entre as suas qualidades, que acredito sejam muitas, acredite que não figura a de adivinhador. Não sei se conhece um estudo de uma universidade prestigiada, conduzido ao longo de uma dúzia de anos, em que alguém reparou, no meio da floresta de dados, que a incidência de certos tipos de cancro nos moradores de prédios com elevador era superior (ou inferior, já não recordo) ao que se verificava nos moradores de prédios sem elevador. Se houvesse algum preconceito contra os elevadores (ou a favor) lá estava o estudo para o ilustrar. Dito isto, eu acho que o fumo faz sempre mal, e é absurdo pretender o contrário. Mas se fumo isso é problema meu, não da comunidade. E o que os fumadores pagam em impostos cobre largamente os eventuais custos - até o Bastonário da Ordem dos Médicos reconhece isso. Mas sossegue que não quero proibi-lo de não fumar; é o Amigo que me quer proibir de fumar. E, por muito que o estime, não vejo com bons olhos que se meta na minha vida a golpes de proibições e multas.


De da Maia a 20 de Abril de 2012 às 16:00
Oh! Santa paciência... que fumar faz mal toda a gente sabe, até os índios americanos. E pode morrer-se disso, sim... mas como saberá há um número muito grande de não-fumadores que desenvolve cancro de pulmão. Feitas as contas bem (sem contar como fumador passivo o gajo que foi a uma discoteca nos anos 90) dará 40-60%, ou seja, é quase indiferente...

Há muitos estudos da tanga, de universidades semelhantes às que faziam estudos imbatíveis para as titularizações de créditos, que fizeram BUUM em 2009.
Falo à vontade, e alertava os corretores da nossa praça em 1999... alguns ficaram surpreendidos com o crash do Nasdaq em 2001, e olharam o velhote de forma diferente. Por sorte depois, os nossos bancos não foram na mesma aventura que os islandeses ou irlandeses, e que terminou em 2009.

A base é a mesma... a estatística e a correlação.
Arranjam-se correlações para o que quiser...
Ao fim de 40 anos e milhares de tentativas experimentais infrutíferas com ratinhos, só tiveram sucesso com a correlação estatística entre o aumento de fumadores e o aumento de mortes por cancro de pulmão. Esqueceram, é claro, que a poluição em geral também aumentou...

Dou-lhe outra informação, mas não sei até que ponto é verdadeira... terá ocorrido na Dinamarca, anos 80.
No final de uma das muitas experiências com ratos, como todos tinham sobrevivido, aproveitaram para fazer uma experiência com inalação radioativa... a maioria dos ratos que "tinham fumado" sobreviveu, os outros, os purinhos de pulmões, morreram todos.
Nunca houve ratos com cancro por fumo passivo... (não conseguiam fumo activo, porque os ratos recusavam-se a fumar).

Quanto à teoria de evolução... eh eh... informe-se!
Posso adiantar-lhe um detalhe... há um salto entre os organismos com sistema nervoso (os animais), e os restantes (ditos vegetais).
Por magia, nas camadas fósseis inferiores você não encontra um único animal, há depois uma "camada catástrofe" onde morrem todos esses, e na seguinte já aparecem animais.

Antes de Darwin, havia a teoria catastrofista de Cuvier, já que havia uma total evidência fóssil de catástrofes que aniquilaram o globo. Depois fez-se um alarido com 3 ou 4 fósseis de transição, e das Galápagos, Darwin foi levado ao colo.
É claro que há evolução... a sobrevivência dos mais fortes, não é uma teoria, é uma evidência. No entanto, a evolução não explica quase nada do que era importante explicar. Por isso, as diferenças entre o evolucionismo e o criacionismo estão algures na Arqueologia Proibida:
http://www.mcremo.com/


De eirinhas a 20 de Abril de 2012 às 18:15
Do que conheço do IPO,não acredito que os impostos do tabaco paguem a cura do fumador activo,deixando ainda de fora a cura do fumador passivo.
Não imaginava que haveria tanto defensor do pai irresponsável.
Deixem as crianças crescer saudáveis.


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