Domingo, 22 de Abril de 2012
por José Meireles Graça

Há uma eternidade que me habituei a ouvir o Dr. Carvalho da Silva a preopinar, com superioridade e sapiência, sobre a gestão do capitalismo em geral, e das empresas privadas em particular.


O fenómeno sempre me pareceu incongruente: não se ensina a melhorar o sistema que se quer destruir; e como nunca nenhuma PME foi à falência, na opinião do gestor Carvalho, por outras razões que não a notória falta de formação dos patrões portugueses, a sua criminosa rapacidade e o característico desprezo pelo bem-estar e interesses dos trabalhadores - então a única explicação para quererem passar da condição de exploradores à de falidos é, na fase moribunda, um violento e inexplicável ataque de masoquismo.


Em tempos, quando tinha tempo para passear nas caixas de comentários do Arrastão, dei de conselho a um assanhado sindicalista que a CGTP salvasse, para exemplo, umas quantas PMEs à beira do precipício, pelo expediente de as recapitalizar (a maior parte dos trabalhadores não estão sindicalizados e é por isso fácil aumentar as receitas, conquistando novas adesões) e contratando gestores devidamente formados, que as Universidades despejam no mercado às dúzias.


O conselho caiu em saco roto - um facho diz coisas de facho, nada que preste.


Bons tempos; que o novo líder putativo da classe operária nem parece intelectual, nem diz coisas profundas, e é bem comunistazinho, previsivelzinho e chatinho - o Arménio do nosso bocejo.


Mas a Vida não pára, benza-a Deus. E agora, por aqueles lados (os do Arrastão, entenda-se) acha-se que, ultrapassado um certo nível de taxas de impostos, a cobrança, em vez de aumentar, diminui. Ou seja, para diminuir o endividamento do Estado, é preciso cortar na despesa.


Pelo menos foi isso o que percebi. E isto é o mundo às avessas - ... e o universo/Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu. 


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1 comentário:
De da Maia a 22 de Abril de 2012 às 20:43
Parece que o ideal do patrão respeitador do emprego é uma tal utopia que a própria CGTP nunca deixou de ser pragmático patrão internamente.

Houve muitas cooperativas de produtores, e se muitas funcionaram mal, outras funcionaram bem... e vinho houve que provou estas palavras, pois quem as escreve o provou e aprovou.

Só que o povo dança com a música, e a música foi mudando, do malhão cooperativo passou a valsas de Strauss, com que se foram sentando os coxos, e dando lugar às dançarinas da corte.

As grandes dançarinas ofereceram-se até como parceiras convidando um estado coxo para a dança... foram as chamadas parceiras público-privadas.
Coisa cara, pois uma dançarina de elite é bem paga, e estado coxo gosta mesmo é de table dance.

O resto dos coxos foi-se sentando e a elite dançarina tomou conta do palco. O espectáculo já não convence, mas prometem-se sempre novos Passos...

A receita é cozinhada sempre da mesma forma... sai despesa tirando assentos aos coxos.
O que foi assentado, isso passou a letra morta.
Mas não se tocam nos bancos... que esses são precisos para descanso das dançarinas, eternas parceiras privadas do estado coxo.

A despesa é selectiva...
Afinal o problema sempre foram os coxos... pelo menos enquanto a música não for nacional, e se dê todo o palco às dançarinas da música estrangeira.


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