Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011
por José Adelino Maltez

 

Norbert Elias, na sua teorização da sociedade de Corte, não vislumbrou a possibilidade de ela se poder perpetuar, promovendo a criação de um bobo da Corte, desse sindicalista caricatural que, manipulando velhas teorias da conspiração, impede os súbditos de analisarem friamente a respectiva situação de dependência, enganando-os contra os seus próprios interesses no momento da escolha eleitoral, através da demagogia de Estado.

 

‎Reparei que ontem um badalado patrão reconheceu que "estamos falidos e quando se está falido, está-se falido. Não vale a pena andar-se a discutir". Noto também que  rede de cumplicidades do presente crepúsculo tende a gerar o habitual remoinho de provisórios definitivos, daquelas decadências duradouras, onde não emerge nenhuma força moral irresistível que possa decepar o nó górdio. Isto é, nas presentes transacções situacionistas, ninguém pode dizer que o rei vai nu..

 

E  lá acabei por ver Passos, já na repetição do começo da madrugada. Há meses, no mesmo sítio, mas com as portas abertas aos pavões, era Sócrates. Fartei-me de os comparar. Porque são políticos feitos com a mesma qualidade, embora se tenham tornado radicalmente diferentes as circunstâncias. Infelizmente, ambos continuam a gerir as mesmas dependências e a navegar na tempestade do costume. Agora em classe não executiva, com mais humildade. Para nosso bem.

 

Julgo que Passos fez pega de caras ao pequeno monstro. Cumpriu o seu dever de dignidade de Estado e não fez como alguns partidocratas da sua corte, com sucessivas pegas de cernelha e muitas vacas chocas. Oito séculos e meio de uma entidade chamada república dos portugueses e três dezenas de anos de uma necessária secção da mesma, chamada região autónoma da Madeira, respiraram de alívio pela dignidade. Cumpriu a constituição e respeitou a democracia. Os pavões de São Bento ficaram no muro. Os assessores não os deixaram entrar com o som na sala enxuta, das comunicações ao país.


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1 comentário:
De Cobarde a 21 de Setembro de 2011 às 19:53
Cada vez mais chato.
Desta vez não passei do primeiro parágrafo. Será que não entende que essa prosa pseudo-rica não esconde a falta de conteúdo?


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