Tenho de recorrer ao "3 de Maio" de Goya para recordar o 16 de Março de 1811, dia em que ancestrais familiares meus morreram e foram heróis condecorados na Batalha da Redinha, na qual guarda avançada do exército Anglo-Luso, comandada por Erskine, general de vanguarda de Wellington, constituída pelo 1º Reg. de Dragões, 1º Reg. de Hussars da KGL, Brigada Independente Portuguesa e Divisão Ligeira bateu e venceu as divisões de Ney, compostas pela Divisão de Mermet, a Divisão de Marchand e as duas Brigadas de Cavalaria comandadas pelo General Lamotte.
As invasões francesas (Guerra Peninsular), na qual os portugueses foram carne para canhão e sobreviventes de um Reino abandonado pela Corte (as teses que actualmente justificam a fuga para o Brasil foram sempre desprezadas por quem ficou cá a lutar), não têm a devida relevância na história portuguesa porque, diz-me um amigo monárquico, então "os Braganças não gostavam de recordar que tiveram menos dignidade e valentia que a piolheira" e depois, a República, "preferia as luzes francesas".
Não reconhecemos os nossos heróis anónimos. Não sabemos dizer obrigado. Nem sequer recordar aqueles que da lei da morte se libertaram ".
De k. a 3 de Maio de 2012 às 09:50
É, Portugal tratou sempre muito mal os seus Soldados - os contributos do Exército Luso na derrota dos Franceses sempre foram esquecidos (mesmo nos livros de historia Portugueses, parece que só houveram Ingleses a lutar por cá). Os Soldados nas trincheiras da 1ª Guerra tambem foram praticamente abandonados, a certa altura. E o que dizer dos que foram para a Guerra Colonial?
Três regimes - Monarquia, República, Estado Novo, três disparates
De Alexandre Pappamikail a 3 de Maio de 2012 às 11:20
Alguns reparos: os "Hussars" a que se refere, são "Hussardos" (cavalaria ligeira). Ou se diz 1st Reg of Hussars, ou 1o Reg de Hussardos. Quanto ao exército anglo-luso, se incluirmos as milícias e as guarnições (incluindo as que guardavam as Linhas de Torres Vedras), era constituido por 75% de Portugueses, e 25% de Britânicos e Hanoverianos (KGL significa King's German Legion). Quanto aos heróis lusos, foram devidamente elogiados por Napoleão - que afirmou se tivesse um exército de legionários como os da Legião Portuguesa (que combateu contrariada pela França após 1807) teria conquistado o mundo - por Massena, que julgou combater soldados britânicos com fardas portuguesas, tal era a qualidade dos recrutas portugueses, e pelo próprio Wellington, habitualmente parco em elogios mas que sabia o que valiam os humildes soldados portugueses... portugueses que ele enviou para controlar os seus próprios soldados após a violação de Badajoz pela soldadesca inglesa. Os Portugueses nunca pilharam, e combateram sempre com enorme nobreza e coragem desde o Buçaco até ao Roussillon. A fuga dos Braganças para o Brasil foi bem pensada e bem executada, e permitiu manter a independência nacional, ainda que no Brasil. O Dom João VI até invadiu a Guiana Francesa, que permitiu revolucionar a agricultura brasileira com sementes melhoradas. Culpo sim, a atitude de não termos resistido a Junot (tinhamos conseguido derrotar os 15000 maltrapilhos com uma mão atrás das costas), mas se percebermos o Estado do exército português depois da campanha do Roussillon, em que fomos abandonados por nuestros hermanos e tivemos de pagar bem cara uma paz de uma guerra que nem era nossa... enfim... havia muito para dizer. Mas os heróis foram honrados, em nomes como Gomes Freire, Bernardim Freire de Andrade, ou dos Heróis de Linhas de Torres. Cumprimentos de alguém que sempre devorou livros de história.
Agradeço o seu comentário e o conhecimento detalhado que nos ajuda a precisar aquele momento histórico.
A saída do Rei para o Brasil foi, para a Corte, uma estratégia, para o Povo, uma fuga.
Todas as nossas famílias eram monárquicas há três / quatro gerações. Éramos um povo monárquico. Povo que começou a afastar-se dos monarcas - mais do que da monarquia - após a Guerra Peninsular, quando, efectivamente, se sentiu abandonado e se começou a deteriorar a aliança Rei - Povo.
E, como bem sabemos, não existe Rei sem um Povo atrás.
De p D s a 3 de Maio de 2012 às 15:49
Mas de que raio vale "essa sua minudência familiar"...
...ao pé de "50% de desconto no PD" ?
De it a 3 de Maio de 2012 às 17:22
+ de 200.000 mortos pelos franceses, a que temos de somar mais umas dezenas de milhar na zona oeste, mortos de fome, depois das destruições da terra queimada.
Mas a maçonaria que tomou conta da 'chafarica', à custa de outros tantos milhares de mortos, esconde. Também porque foram colaboracionistas e denunciavam os patriotas portugueses ao Loison (o maneta), que faz dos chefes da Gestapo uns cordeirinhos.
Dito de outro modo: os fraceses da fraternidade, igualdade e liberdade são uns bacanos; os nazis, que não fizerem 1/1000 em França, são maus.
É a história vesga -republicana, socialista e laica!
No Algarve, os Franceses também semearam miséria.
Ainda há uns anos um velhote da minha terra, para invectivar um vizinho vizinho dizia "Aquele Junot".
Outra parte não divulgada é a traição da Convenção de Sintra que permitiu evacuar por barco a 1.ª invasão comandada por Junot. Militarmente já derrotada, no Algarve, Alentejo e Beiras e acantonada para resistir na Estremadura.
Puderam ser evacuados com o saque, que hoje orna muitos museus e espólios por esse mundo fora.
Para quando pedir a devolução de algumas peças?
De Alexandre Pappamikail a 5 de Maio de 2012 às 14:05
Concordo inteiramente com o seu comentário, excepto com o "alguma peças". Tendo em conta que foi uma invasão ilegal, deveríamos exigir TUDO o que foi roubado, desde a colecção de história natural dos Braganças, aos milhares de obras de arte pilhadas que adornam os armazéns do Louvre... já para não falar de indemnizações pela destruição causada. Poucas pessoas têm noção que as invasões francesas foram directa ou indirectamente responsáveis pela ruína portuguesa sentida em grande parte do séc. XIX. Quanto ao que o Maurício Barra me respondeu, também concordo. De resto, basta avaliar a qualidade e patriotismo dos portugueses de então, se tivermos em conta que a Universidade de Coimbra fechou portas... porque todos os universitários se alistaram no famoso Batalhão Académico... ou que em Lisboa, toda a população masculina se alistou nas milícias, e depois de alistados 60.000 voluntários, tiveram de mandar os outros para trás por falta de necessidade. Por último, um português no exército anglo-luso custava ao erário britânico cerca de 1/3 de um soldado inglês. Se é verdade que as tropas de "choque" e a cavalaria pesada foram sempre britânicas (da KGL ou da Guard's Division), o grosso das tropas de apoio (os "caçadores" que tão conhecidos se tornaram) eram portugueses, se bem que conduzidos na maioria dos casos por oficiais britânicos. Wellington confiava nos portugueses, mas desconfiava dos aliados espanhóis, que lhe deram motivos para tal. Há um livro sobre Dom João VI, escrito pelo grande historiador Manuel Domingues, que detalha a década de 1801-1814 com enorme minúcia, e que merece ser lido por todos os interessados. Cumprimentos.
De da Maia a 5 de Maio de 2012 às 18:52
Sobre a Convenção de Sintra, há uma banda desenhada de Gillray que à época "explica o sucedido"...
Começa com "the gold that French took"... e vai continuando, dando a entender claramente para onde foi o "ouro que os franceses levaram".
Por isso os nossos "amigos ingleses" cobraram bem a ajuda, e continuaram a cobrá-la ao longo de todo o Séc. XIX.
A França perde a Guerra, mas recupera rapidamente, sem ter que pagar dívidas... e acabam por ser Portugal e Espanha a ficar na condição de eternos devedores...
A ingerência anglo-francesa manifestou-se várias vezes no Séc. XIX no âmbito da Quádrupla Aliança... em que o principal inimigo a derrotar era o nacionalismo dos povos ibéricos.
De da Maia a 5 de Maio de 2012 às 19:03
A banda desenhada é esta:
http://purl.pt/429/1/
afinal não é do Gillray, é do Woodward.
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