Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
por Maurício Barra

 

 

Não, definitivamente não. A Europa de Hollande não será  "uma espécie de 50% do Pingo Doce a uma escala gigantesca", como nos diz Vasco Pulido Valente, numa frase extremamente feliz.

Como reparou quem quis reparar, no auge do discurso da vitória, o centrista François colocou nos entrefolhos da retórica  o objectivo de eliminar os déficits e consolidar a economia francesa. Para os que na Bastilha pensavam que ainda estavam na Bastilha, deixou-lhes as deixas para que o seu lado esquerdo ficasse amansado : l'école de la Republique (porque será que os socialistas franceses e portugueses odeiam a liberdade de ensino? resquícios leninistas dos frentismos de esquerda?), a contenção do nuclear (mas aqui serão menos alemães que os alemães), os direitos dos periféricos das periferias e quejandos. Ou seja, à esquerda e para a esquerda, só política interna.

Com uma dívida pública brutal, a França depressa acordará com a Alemanha (sim, Alemanha, porque o SPD também é muito assertivo nas questões que ao equilíbrio orçamental dizem respeito), um modus operandi para uma política europeia de "austeridade" que lhe permita ter uma política "de crescimento" dentro do hexógono.

Politique oblige e Chateaubriand era francês.

Eis o que Seguro, talvez mais devagar do que depressa, irá compreender. Se estava à espera que a vitória de Hollande fosse o princípio do fim da estratégia de Passos Coelho, para mal das suas expectativas ira perceber que será o acto adicional (*) que reforçará a estratégia do actual Governo.

 

(*) desculpem a ironia, mas este é o título do programa que a Comissão Europeu já está a elaborar para harmonizar a "austeridade" alemã com o "crescimento" alemão.


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1 comentário:
De jfd a 7 de Maio de 2012 às 11:38
Totalmente de acordo. Afinal com que cara chegará ou chegou o PS do seu passeio a Paris?
Não tive oportunidade de acompanhar declarações e as vozes do costume. Mas espero pelos jornais da noite na tv e ops op-eds de amanha nos jornais.
Hoje ainda está tudo muito a quente na imprensa escrita.


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