Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
por Filipa Rilhas Reis

Ultimamente vejo os comentários às declarações do Passos Coelho, e só consigo lembrar-me daquelas garotinhas apaixonadas e cegas que distorcem o que se é dito, e só vêem o que querem ver.

Eu explico. Uma jovem apaixonada perde a lucidez. Ela sonha. Faz filmes. Desliga os reactores da razoabilidade e do bom senso. E quando em conversa o ser amado profere a palavra "branco", ela perde-se em grandes análises ao que foi dito. E faz um raciocínio do género: "ele disse-me branco, branco é a cor das paredes das casas, branco é paz, a neve é branca, logo o que ele disse foi -quero ir contigo para a neve em Pas de la Casa-".

Há pessoas que pensam assim. Juro. Igualzinho aos milhares de ouvidos moucos que tecem comentários por aí. O Passos Coelho diz piegas numa premissa contextualizada e acabam a dar-lhe uma conclusão sem nexo. O homem fala de novas oportunidades no desemprego, procurando ter um discurso positivo num congresso de empreendedores, e é um ai meu Deus, o malvado do pior que ele é.

Posto isto, queridos e queridas analistas de pacotilha, desejo para vós o mesmo que desejo a mocinhas apaixonadas que vivem fora da realidade, procurem ser bem amados. Um amor lúcido e sereno vai trazer-vos razoabilidade.


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6 comentários:
De Pedro Correia a 14 de Maio de 2012 às 14:14
Viva, Filipa. Que bom vê-la por cá. Espero que este seja o primeiro de muitos 'posts'.


De Marão a 14 de Maio de 2012 às 14:55
Já me atrevi antes a não dramatizar as palavras do 1º ministro, que muitas vezes peca por não adocicar a mensagem. Contudo, prefiro valorizar-lhe a acidez da verdade, em vez de lhe lamentar a falta de contorcionismos habilidosos, que a dura realidade não se altera por efeitos de folclórico arraial. Prefiro interpretar-lhe o sentido das empedernidas palavras desta maneira: Perante uma situação de dramático desemprego, não deixemos que se tolham energias, mas antes, partir á descoberta de caminhos que nos possam conduzir á sua superação. Penso até que este primeiro ministro ainda não esgotou o tempo que lhe deve ser conferido para que possamos desde já ser definitivos nos resultados da respectiva governação. Palpita-me contudo que se rodeou de demasiados ratos de caserna a cheirar a naftalina característica de velhos cabos quarteleiros.
Tenho a impressão que a descoberta limite da opção da caridade aceite precocemente não será o melhor caminho para quem perdeu o emprego. Em todo o caso não baixar os braços antes de estender as mãos á caridade é o entendimento de quem já passou por essa atribulada situação sem paralelo.
Há contudo um ponto de honra e lucidez que um primeiro ministro nunca pode desvalorizar ou abordar levianamente, sendo mesmo de espantar como é que Passos Coelho consegue incendiar as situações mais pela roupagem ofensiva com que vai enfarpelando as palavras, mais nocivas que um caminho bem mais pesado que pretende justificar. Que antes de se emendar nas palavras nos dê sinais visíveis de bem melhor rota para a política seguida.


De Rodrigo Saraiva a 14 de Maio de 2012 às 15:02
excelente entrada Filipa. o Regimento fica mais forte :)


De Tiago C a 14 de Maio de 2012 às 15:25
As voltas que se dá. Até deve doer de tanto torcer a espinha. Se estas mesmas palavras, descontextualizadas ou não, tivessem saído da boca de Sócrates gostava de saber se também as "analisava" com essa brandura. E como leitor por vezes comentador deste blog, seja bem vinda


De jfd a 14 de Maio de 2012 às 17:05
Tiago, para além de serem palavras têm um emissor. Emissor esse que têm necessariamente um pouco de si que entrega aquilo que diz.
Acho que isto diz tudo.
E que seja bem vinda mais uma senhora!


De k. a 14 de Maio de 2012 às 22:29
"O povo não tem pão para comer? Comam croissant's.."


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