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Forte Apache

Hooligans Intelectuais

Maurício Barra, 25.05.12

Jogar futebol. Gostar de futebol. Falar de futebol.

Mais do que isso? Não.

Porque começa pela desonestidade intelectual (não vemos o que os outros vêem, vemos o que os outros não vêem), o adversário não está no mesmo campo que nós, o adversário é o outro lado para todas as condenações, transforma-o em inimigo, tribaliza-nos e tribaliza-os, define campos estanques de estigmas , já não interessa se é de futebol que se trata. Passamos a ser hooligans mentais.

E já não temos de ser os melhores. Temos é de ganhar. Os meios hão-de justificar os fins.

Expandimo-nos para fora do campo do jogo. Aceitamos desvios a nosso favor, vociferamos contra o benefício dos outros, e assim alimentamos os fautores, os que mexem os cordelinhos, os que não querem simplesmente jogar futebol, querem o poder de ganhar antes de entrar em campo. E aceitamos que ou nós temos esse poder, ou então esse poder vai para os outros.

E o futebol deixa de ser um jogo, passa a ser um confronto escuro, de gente sombria, que vive bem evitando a claridade da lei.

E instala-se a paranóia. Ou controlamos ou somos controlados.

E antes que o jogo chegue ao fim já nos esquecemos da ética, dos valores morais, do fair-play, da verdade, da alegria dos nossos filhos a correrem atrás de uma bola. Ficamos infectados. Não nos importamos de não ser justos.

E tudo começou porque fizemos um intervalo nos valores, um intervalo em que fomos inferiores às nossas frustrações e abdicámos temporariamente da honestidade intelectual. 

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