Domingo, 25 de Setembro de 2011
por Fernando Moreira de Sá

Não existe outro caminho.

 

O nosso país vai ter mesmo de mudar se quiser continuar a existir. Uma mudança imperiosa e obrigatória. Na educação, na economia, no sector público e no sector privado. Estamos perante uma situação de excepção que exige medidas concretas, corajosas e nada populares.

 

Não sei, sinceramente e pondo de lado as questiúnculas partidárias, se os portugueses estão preparados ou mesmo conscientes da gravidade do momento. Não vou discutir se o modelo de desenvolvimento económico que a Europa, a Troika e os especialistas defendem, se é que defendem algum modelo, é o melhor ou não. Já nem sei se “isto” vai lá com mais impostos ou se não seria melhor procurar puxar pela economia diminuindo a carga fiscal.

 

Posso estar enganado, redondamente enganado, mas sem uma verdadeira mudança de mentalidades não vamos lá. Reparem neste exemplo. As regras no acesso ao ensino superior não são universais, não são iguais para todos e, espero não estar a ser injusto, cheira a “Chico-espertismo” típico da nossa mentalidade. E o que dizer quando se lê “isto”? Então os portugueses não são todos iguais? Os sacrifícios são só para alguns? Ninguém aprendeu a lição, nem o poder nem a oposição madeirense?

 

O Governo prepara-se para uma verdadeira revolução no sector público. Durante anos, todos os “Medina Carreiras” deste país clamaram (e bem) contra a “gordura” do Estado. A multiplicação de Institutos Públicos, Empresas Públicas, o crescimento do número de funcionários públicos. Agora que o Governo decide, finalmente, atacar o problema acabando com fundações de duvidosa existência, fundindo institutos públicos e fechando determinadas empresas públicas e lançando uma reforma da Administração Local que é, a meu ver, o princípio do controlo do despesismo, vão começar os sindicatos, as corporações e todos aqueles que defendem “o sistema” a gritar contra. Em casa onde não há pão…

 

Só com a redução do número de dirigentes a poupança é de 40 milhões. Será que chega? Certamente que todos concordam que não, não chega. É o começo. O princípio da mudança de (como detesto a palavra mas não encontro outra) paradigma.  

 

A Reforma da Administração Local incidirá em quatro campos: no sector empresarial local, na organização do território, na gestão municipal e seu financiamento e, na democracia local. Para a minha geração esta pode ser a primeira grande reforma a que assistimos. Ora, agora que tanto se fala na Madeira e no seu buraco, cheira-me que depois das eleições regionais vamos ter uma surpresa no que toca a buracos e suas dimensões. Uns e outros terão, forçosamente, que ser combatidos. Todos reconhecemos, mesmo quando não concordamos, que o desenvolvimento económico e social na Madeira nos últimos trinta anos foi enorme. Como gigantesco foi o desenvolvimento das nossas vilas, cidades e concelhos. E o Portugal de hoje comparado com o dos anos setenta? A que custo? Quais os custos, reais, de todo este desenvolvimento, de toda esta qualidade de vida incomparável?

 

A Troika e as recentes intervenções externas respondem. Todos nós, sem excepção, exagerámos. Agora cabe à minha geração e às que se seguem pagar a dura factura. Uma factura pesada, é certo, mas pior seria se nada fosse feito e já.

 

Enquanto contribuinte, do grupo dos que pagam impostos e que ainda agora pagaram mais uma batelada de IRS, só posso saudar estas medidas reformistas no tocante à despesa do Estado e aproveitar para pedir mais. Que não falte a coragem.

 

Mesmo sabendo que a caixa de comentários vai ser inundada pelos “Abrantes” do costume, não posso deixar de sublinhar que Miguel Relvas, mesmo debaixo de intenso fogo, não cedeu e avançou com esta importante reforma. Seria bem mais fácil e cómodo continuar a fazer de conta…


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