Domingo, 27 de Maio de 2012
por Alexandre Guerra

 Pat Bagley / Salt Lake Tribune 

 

Diz-se, pelo menos a julgar pelas palavras de Maureen Dowd no New York Times deste Domingo, que as deslocações dos Serviços Secretos americanos (não confundir com a CIA) são descritas pelos próprios membros da organização como “Secret Circus”. Uma forma jucosa de descrever o aparato envolvido em cada missão de acompanhamento ao Presidente dos Estados Unidos.

Uma logística que ficou bem patente nos cerca de 200 agentes que acompanharam Obama na polémica viagem à Colômbia no mês passado para participar na Cimeira das Américas.

Esta viagem teria sido mais uma a juntar-se a tantas outras, não fossem 12 desses 200 agentes terem-se dedicado a actividades nocturnas impróprias em Cartagena, com a contratação de alguns serviços especializados na indústria do prazer carnal. O escândalo rebentou e quando mete sexo pelo meio já não há nada a fazer, sendo a própria opinião pública americana a exigir o apuramento de responsabilidades e consequências rápidas.

Mark Sullivan, director dos Serviços Secretos, esteve no passado dia 23 numa comissão do Congresso. Daquelas à séria e não apenas um folclore mediático completamente inócuo.

Na Comissão de Segurança Interna do Senado, Sullivan fez o seu papel ao tentar defender a sua instituição o mais possível, embora não tendo desvalorizado o que se passou na Colômbia. Do outro lado, os senadores fizeram também o que lhes competia, encostando Sullivan às “cordas” e relembrando alguns casos do passado, mas não pedindo, para já, a sua cabeça. Pediram, sim, foi ao Departamento de Segurança Interno que fizesse uma investigação interna.

Entretanto, das 12 “maçãs podres”, como referiu o próprio Sullivan, e apenas num espaço de um mês, nove agentes já foram corridos dos Serviços Secretos: seis demitiram-se, dois foram despedidos e um reformou-se.

Não foram precisos meses de investigações da Procuradoria e de inquéritos judiciais e muito menos o avolumar de milhares de páginas de processos em tribunais. Esta é uma das virtudes da democracia americana, em que, por vezes, bastam os mecanismos internos das instituições e a vontade política para que a justiça (no sentido mais poético) seja consequente e as tais “maçãs podres” sejam deitadas para o lixo.


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