Sábado, 2 de Junho de 2012
por Pedro M Froufe

Tão difícil como escrever mensagens em forma de “sms”, é escrever, esta semana, sobre eles próprios, os ditos “sms”. E essa dificuldade resulta, desde logo, do risco de cairmos em vacuidades ou em meras efabulações. Porém, em termos de atualidade política, eles (“sms”), têm sido incontornáveis.

 

Ora, retornando às aludidas efabulações e vacuidades e pelo que fui sabendo na imprensa, julgo estarmos, em grande medida, perante um “não caso”, envolvendo Miguel Relvas. Desde logo e para além das alegadas ameaças, feitas, por interposta pessoa, a uma jornalista (e cujos contornos rigorosos estarão, ainda, a ser apurados), não percebi bem de que é que Relvas é, definitivamente, acusado. No plano das efabulações, já cheguei a ouvir de tudo: insinuações sobre uma mega conspiração, envolvendo negócios, influência política, o PSD, a inevitável Maçonaria e, claro está, sugerindo-se que o mal-amado Relvas fosse o maestro de tudo isso (não se sabe muito bem o quê). Com a dinâmica mediática que as coisas têm tido - e que parece só querer acalmar quando, finalmente, se conseguir apear o Ministro - não será improvável que a trama acabe por ter, também, um cariz internacional, acrescentando-se-lhe, por exemplo, o Vaticano e as suas conspirações, recentemente noticiadas. Ainda vamos ouvir falar de “sms” recebidos por Relvas e enviados pelo ex-mordomo de Bento XVI!

Mas, por detrás das artificiosas, vácuas e insufladas narrativas (guerrilhas) político – partidárias, há questões realmente importantes, suscitadas por toda esta situação. Desde logo, a utilidade dos “nossos” serviços secretos. Valerá a pena mantê-los para promoverem, mesmo indiretamente, ilegalidades e servirem interesses privados rasteiros? A tese segundo a qual as instituições (neste caso, SIS/SIED) nada têm a ver com aquilo que alguns funcionários ou ex-funcionários fazem privadamente, pode ser equívoca. Não podemos fazer uma análise institucional desligada do respetivo contexto concreto. A utilidade, o sucesso e, sob o ponto de vista político, a própria legitimidade das instituições, dependem das pessoas que nelas se integram, dos habituais mecanismos de seleção dessas pessoas, dos traços culturais e comportamentais típicos da sociedade que visam estruturar. Em última instância, as instituições dependem, igualmente, dos mecanismo de defesa de que dispõem contra certos riscos, previsivelmente gerados pela respetiva realidade em que se integram e com a qual interagem. Uma boa administração pública depende sempre, realisticamente, de pessoas com um perfil adequado às funções institucionais que desempenham, quer dizer, de bons funcionários. Dificilmente poderiam ser escolhidos por “sms”...  


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