Terça-feira, 27 de Setembro de 2011
por Ricardo Vicente

A partir deste post de Rui Costa Pinto, três comentários:

 

1. Sarkozy e Merkel só se preocupam com uma coisa: reeleição. Grécia, Portugal, Euro, Europa: tudo lhes é instrumental ou obstáculo para esse fim: serem re-eleitos.

2. O default parcial da Grécia é uma inevitabilidade, tal como o português, e já o era há mais de ano e meio. A saída da Grécia da zona euro não é inevitável mas será uma catástrofe não só para a moeda comum mas para a própria União Europeia.

3. Quanto ao timing do default, sugiro este meu post. Na minha opinião, o default da Grécia está a chegar com mais do que um ano de atraso. O default português virá também muito atrasado. Mas estes timings só têm a ver com política: reeleições nuns casos, estados de negação e "estado de graça" no caso português.


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5 comentários:
De Rui C Pinto a 27 de Setembro de 2011 às 11:06
Estou de acordo. Aliás, na caixa de comentários a discussão foi no sentido dos seus 3 pontos. Ainda assim, tenho sérias dúvidas que a saída da Grécia do euro venha a ocorrer... Sobretudo pelo 3º ponto... As eleições na França e Alemanha.

Mas porque a Alemanha e a França estão reféns do calendário eleitoral é que defendo que são os gregos quem comanda os destinos europeus. São eles que estão a definir o calendário. Eles podem acelerar ou atrasar a necessidade de default. Além disso, não vejo como a gestão de Merkel e Sarkozy os possa beneficiar eleitoralmente uma vez que estão a ser devorados eleitoralmente por uma esquerda que defende, imagine-se!, as eurobonds!


De Ricardo Vicente a 27 de Setembro de 2011 às 11:14
Parece-me que se alguém está refém de outrem, é a União Europeia/Zona Euro que está refém da Grécia, que por sua vez está refém da França e da Alemanha, que por sua vez estão reféns de Sarkozy e Merkel. O melhor que poderia acontecer a todos seria uma antecipação das eleições na Alemanha.

Os eurobonds são bons se servirem apenas e só para realizar o default na Grécia e em Portugal. Se se insistir em utilizá-los como plataforma para um vôo federalista o resultado é a sua não aceitação, o que dificultará aqueles dois processos de default.


De Rui C Pinto a 27 de Setembro de 2011 às 11:27
Bom, a curto prazo, não antevejo outra utilização das eurobonds que não seja para a realização do default dos países em dificuldade. Mas a tentativa de voo federalista vai acontecer, sobretudo se o PS francês eleger Aubry nas presidenciais.

As sucessivas injecções de € nos fundos de estabilização financeira são muito impopulares no eleitorado alemão. A cada vez que o faz, Merkel ganha contestação interna e capitaliza críticas de incapacidade para resolver a crise. Até Kohl a acusou publicamente de estar a matar a Europa! Por isso é que acredito que os alemães vão acabar a pagar esta história toda, mas vão fazê-lo com a esquerda no poder e com um discurso provavelmente federalista.


De Ricardo Vicente a 27 de Setembro de 2011 às 12:13
Pois, a esquerda alemã é que acabará por salvar a Europa mas não pelas melhores razões.


De Rui C Pinto a 27 de Setembro de 2011 às 12:59
Ora bem... Era precisamente aí que queria chegar. E a culpa é do dueto Merkel e Sarkozy que não fizeram o que deviam a seu tempo.


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