Sábado, 2 de Junho de 2012
por Pedro Correia

 

Não sucedia desde 1955: a selecção portuguesa perdeu hoje contra a da Turquia, no estádio da Luz, por 1-3. Confirmando alguns dos piores augúrios para o jogo do próximo sábado contra a Alemanha, na Ucrânia, já em plena fase final do Campeonato da Europa. Depois do medíocre jogo em Leiria contra a Macedónia, que pelo menos terminou em empate, esta derrota faz antever uma campanha europeia muito complicada para a selecção lusa.

A exibição foi má, o resultado foi péssimo. E algumas lacunas preocupantes ficaram bem patentes esta noite no relvado da Luz.

 

1. Equipa sem automatismos. Foram frequentes, e graves, os desentendimentos entre os jogadores. Tanto nas linhas mais recuadas como no meio-campo e até na zona mais avançada. O primeiro golo turco nasce precisamente da falta de sintonia entre o guarda-redes e alguns defesas, repetindo-se esta falha no autogolo de Pepe. Também entre os avançados foram flagrantes as deficiências de sincronia em momentos cruciais.

 

2. Falta de comando. No meio-campo português é cada vez mais flagrante a falta de um comandante com boa leitura de jogo, autor de passes certeiros em profundidade potenciando a desmarcação dos companheiros e capacidade de mobilização geral da equipa. Alguém como Luís Figo, Deco ou Rui Costa noutros tempos.

 

3. Promessas goradas. Miguel Lopes, em estreia absoluta na selecção, prometeu mais do que cumpriu. Conseguiu um penálti graças a uma inesperada ofensiva na grande-área turca. Mas o primeiro golo nasce de um erro da faixa lateral direita, que ele devia cobrir com eficácia. Custódio e Nélson Oliveira também jogaram, sem dar nas vistas.

 

4. Quem marca golos? Ao minuto 72, Hugo Almeida isolou-se perante o guarda-redes turco, Volkan. Faltou-lhe o instinto de matador que caracteriza os bons pontas-de-lança: preferiu passar a bola a Coentrão, que não a esperava e tinha pior ângulo de remate. O golo gorou-se. Foi um símbolo perfeito da falta de capacidade dos rematadores portugueses. Helder Postiga, repetindo o fracasso de Leiria, não conseguiu melhor.

 

5. Cristiano não chega para tudo. Depois de uma época muito desgastante em que se sagrou campeão de Espanha pelo Real Madrid, Cristiano Ronaldo ainda não se reeencontrou com a selecção. Falhou um penálti, atirando de forma quase displicente à baliza adversária. Toda a equipa parece dependente dele. Mas, por melhor que seja, nenhum homem sozinho consegue colmatar as deficiências de uma equipa.

 

Gostei mais. Do golo do sempre inconformado Nani, para mim o melhor português neste jogo (espero, para bem da selecção, que recupere do traumatismo do pé). E também da irreverência de Raul Meireles.

Gostei menos. Do coro de assobios que os espectadores da Luz dirigiram à selecção nacional desde muito cedo: assim é quase preferível jogar no terreno do adversário. Daqui vai a minha vaia para esses assobios.

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