Terça-feira, 27 de Setembro de 2011
por Rui C Pinto

Em 2003, um grupo de investigadores das Universidades de Berkeley, Stanford e Maryland publicaram na Psychological Bulletin um artigo onde sistematizam o pensamento conservador. Este estudo dava conta da correlação entre ideologia e os processos psicológicos para a interpretação do medo e a incerteza. [1] 

Recentemente, em 2011, foi publicado um trabalho de investigação que recorre à imageologia por ressonância magnética (MRI) para estudar a relação entre ideologia e fisiologia do cérebro. [2] Os resultados vão ao encontro do trabalho desenvolvido por Jost et. al. em 2003. De facto, foi possível relacionar o pensamento conservador com o grau de desenvolvimento da amígdala e o pensamento liberal com o córtex cingular anterior: 

A amígdala desempenha um papel fundamental no processo de condicionamento do medo (tradução livre de fear conditioning). O córtex cingular está relacionado com funções cognitivas como a tomada de decisão e a empatia. 

Esta eventual relação estrutural não justifica que a ideologia política seja uma consequencia da fisiologia do cérebro. Porém, este estudo converge com os enunciados anteriores para sugerir que a estrutura do cérebro e os mecanismos psicológicos desempenham uma importante mediação nas atitudes políticas. Releva, deste estudo, a relação entre ideologia política e regiões do cérebro que estão sobretudo relacionadas com funções emotivas como o medo e a empatia. 

No estudo publicado em 2003 por Jost et. al. é feita uma análise bibliográfica de artigos de jornais, livros, discursos proferidos por políticos e sentenças judiciais. Dessa análise definiram-se um conjunto de padrões que enquadram sociologicamente e psicologicamente o pensamento conservador: medo e agressão; dogmatismo e intolerância à ambiguidade e à incerteza; polarização do discurso em realidades dialéticas. Este estudo poderia ser resumido nas palavras de Bush, em 2001: "I know what I believe and I believe what I believe is right."  

 

[1]. "Political conservatism as motivated social cognition", Jost, J.T., Glaser, J., Kruglanski, A.W., Sulloway, F.J., Psychological Bulletin 2003, Vol. 129(3), 339-375.

(do mesmo autor: "Neurocognitive correlates of liberalism and conservatism", Amodio, D.M., Jost, J.T., Master, S.L., and Yee, C.M., Nature Neuroscience 2007, Vol. 10, 1246–1247; "Are needs to manage uncertainty and threat associ- ated with political conservatism or ideological extremity?", Jost, J.T., Napier, J.L., Thorisdottir, H., Gosling, S.D., Palfai, T.P., and Ostafin, B., Personality and Social Psychology Bulletin2007, Vol. 33, 989-1007.)

[2] "Political orientations are correlated with brain sructure in young adults", Kanai, R., Feilden, T., Firth, C., Rees, G., Current Biology 2011, Vol. 21, 677-680.

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1 comentário:
De Ricardo Vicente a 27 de Setembro de 2011 às 20:29
Este post dá uma lição à malta do "ele há estudos". Em geral, quem invoca o argumento do "há estudos que dizem que" nunca oferece nenhumas referências bibliográficas nem linques. Infelizmente, essa também é a prática habitual no "jornalismo científico".


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