Quarta-feira, 6 de Junho de 2012
por Pedro Correia

Aproveitando a boleia de Manuel José, que saiu a terreiro com "duras críticas" (uma redundância de que alguns jornalistas abusam até à náusea, como se houvesse 'críticas moles') à preparação da selecção nacional, Carlos Queiroz quebrou a sábia reclusão mediática em que mergulhara para deitar também achas na fogueira. Revelando que quando era seleccionador chegou a receber uma proposta para que fossem os adeptos a escolher o 23º jogador destinado a integrar o lote de futebolistas portugueses no Mundial 2010.

Ignoro se Manuel José se sente lisonjeado por ver agora a seu lado o actual seleccionador do Irão, que deixou poucas ou nenhumas saudades no seu atribulado percurso de dois anos (2008-2010) à frente dos destinos da nossa selecção. Mas espanta-me (ou talvez não) que Queiroz, havendo permanecido em silêncio todo este tempo, só agora tenha decidido revelar a nefasta influência exercida pelos patrocinadores nos corpos dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol. A três dias do decisivo jogo Alemanha-Portugal, partida de arranque da nossa campanha neste Europeu. Há coincidências que não lembram ao diabo...

Razão tem mestre Fernando Correia, que ainda há pouco escutei com a atenção de sempre na TVI 24: «O grande problema de Manuel José e Carlos Queiroz é não serem seleccionadores nacionais. Se o fossem, as críticas não seriam neste tom.»

Julgo que com isto fica tudo dito. Passemos adiante.

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3 comentários:
De João Campos a 7 de Junho de 2012 às 20:07
Discordo em parte. Julgo que apesar de serem desnecessariamente agressivas, as críticas de Manuel José são relevantes. Ele até pode ter algum ressabiamento por nunca ter sido seleccionador (e se calhar devia ter sido), mas insistir nisso é passar ao lado do essencial.

Já Queiroz, se tivesse um pingo de decência, ficava caladinho e esperava que ninguém se lembrasse dele. Tivesse ele continuado à frente da Selecção e nem no apuramento nos tínhamos safado.


De Pedro Correia a 7 de Junho de 2012 às 20:46
Discordo do tom crispado e agressivo de Manuel José, meu caro. Mas o meu texto visa sobretudo as inqualificáveis declarações de CQ, que ao estilo habitual vem insinuar sem concretizar, levantando uma questão que nunca antes havia suscitado publicamente depois de ter deixado a selecção nacional no triste estado que sabemos, comuma qualificação arrancada a ferros sem uma vitória em casa e a maior onda de deserções de jogadores de que há memória na sequência da triste participação portuguesa no Mundial da África do Sul.
Poucas pessoas acertam sempre quando falam. Muitas pessoas acertam algumas vezes quando falam. Mas certas pessoas só acertam quando permanecem caladas. É o caso.


De João Campos a 7 de Junho de 2012 às 22:58
Realmente... mas já se sabe que o Queiroz deve pouco à subtileza (e ao sentido de oportunidade).


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