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Forte Apache

O abraço do afogado

Luís Naves, 17.06.12

Primeiras projecções na Grécia apontam para empate técnico entre a Syriza e a ND. Intervalo entre 27% e 30% para a esquerda radical, entre 27,5% e 30% para os conservadores. Pequena vantagem da direita, mas a incerteza pode durar horas. Os neo-nazis subiram e terão conseguido o terceiro lugar (é de perder o fôlego).

Não consegui perceber o que aconteceu aos restantes pequenos partidos, mas se estão todos abaixo de 7,5%, teme-se o pior. (Actualização: o PASOK é o terceiro mais votado, com 10 a 12%, o que dá 40% ao bloco pró-resgate; se a ND vencer, há governo).

Talvez a ND possa negociar uma maioria, sendo pouco provável que a esquerda anti-resgate tenha votos suficientes para o fazer, mesmo com o brinde de 50 deputados para o mais votado.

Enfim, estamos perante um possível impasse.

Cenário 1: talvez haja um governo de transição, desta vez por um ou dois anos, apoiado pelos maiores partidos. Por exemplo, chefiado por Lucas Papademos. Renegociação do memorando, alguma estabilização da situação financeira, ajuda externa imediata.

Cenário 2: Governo pró-resgate vence à tangente, renegociação do memorando, suavização do programa.

Cenário 3: Estado falhado. Grécia fora do euro, regresso dos coronéis.

 

Leiam a excelente análise mais abaixo, de Pedro Correia.

Acrescento apenas que o resgate grego já custou quase 350 mil milhões de euros. Houve dois pacotes, de 110 e 130 mil milhões (o primeiro não foi todo gasto, o segundo será até 2015), mais 100 mil milhões de perdão de dívida. Além disto, o BCE tem na sua posse 150 mil milhões de euros em obrigações gregas que já não valem nada. Portanto, a conta real aproxima-se dos 500 mil milhões. Apesar da factura desta ajuda em grande escala, os gregos deixaram de pagar impostos e rejeitaram a mais pequena reforma estrutural. Nunca cumpriram aquilo a que se comprometeram. Um exemplo: beneficiando dos 2 mil (!!!) sistemas contributivos da segurança social, foram detectados 40 mil pensionistas mortos em nome dos quais eram pagas as respectivas reformas. Alguém as recebia. Era o fundo do poço? Não, pois agora foi descoberta uma fraude de 100 milhões de euros que envolvia pensionistas mortos.

 

E um dos países que a Grécia arrasta alegremente para o abismo é Portugal. Estamos perante o abraço do afogado. 

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