Segunda-feira, 2 de Julho de 2012
por Pedro Correia

Nunca tinha acontecido. Ao revalidar o título de campeã europeia ontem à noite em Kiev, Espanha consegue uma proeza inédita: nenhuma outra selecção recebera até hoje dois troféus consecutivos ao nível da Europa. Com a vantagem acrescida, para os espanhóis, de serem também campeões do mundo: conquistaram o troféu há dois anos, na África do Sul, e são desde já os mais sérios candidatos à dobradinha no próximo Mundial, a disputar no Rio de Janeiro.

Também inédita foi a expressão numérica desta vitória. A selecção comandada por Vicente del Bosque goleou os italianos nesta partida disputada na capital ucraniana: 4-0. Nenhuma outra final de um Europeu tivera até hoje números tão expressivos, o que demonstra bem a superioridade espanhola perante uma equipa italiana irreconhecível. Montolivo, Cassano, Balotelli e tutti quanti nem pareciam os mesmos que três dias antes venceram e convenceram a poderosa selecção alemã, vice-campeã da Europa, com um futebol capaz de conjugar espectáculo com eficácia.

 

Buffon, Pirlo e De Rossi - que foram campeões do mundo em 2006 - não conseguiram desta vez marcar a diferença. Toda a equipa comandada por Cesare Prandelli parece ter entrado em campo já derrotada pelos espanhóis. Uma atitude totalmente diferente da revelada pela selecção portuguesa no desafio da meia-final. Ao contrário de Portugal, que em grande parte do encontro de 27 de Junho confinou a equipa adversária ao seu reduto, os italianos cederam todo o espaço aos homens de vermelho. Era precisamente o que os espanhóis queriam. Donos do meio-campo, retomaram o carrocel de passes que tanto gostam de cultivar e costuma produzir um efeito hipnotizante nos antagonistas.

Também ao contrário do que sucedeu com os portugueses, os italianos revelaram-se demasiado permeáveis na defesa. Acabando por sofrer golos das mais diversas formas. David Silva, com apenas 1,70m, marcou de cabeça - proeza rara na carreira deste campeão mundial e bicampeão europeu. Jordi Alba - aposta ganha por Del Bosque ao sagrar-se o melhor lateral esquerdo deste campeonato - marcou como quis, após passe magistral de Xavi. Torres saltou do banco para marcar e dar a marcar ao também suplente Juan Mata, que (com perdão do trocadilho fácil) matou o encontro. E nem foi necessário o grande Iniesta mostrar-se ao seu melhor nível para a Espanha se passear no terreno quase como se estivesse sozinha em campo. Nada a ver com o bem disputado jogo inaugural das duas selecções, ainda na fase de grupos, em que o equilibrado confronto terminou num empate.

 

Para uma equipa atingir a excelência é necessário que o todo ultrapasse a soma das partes. Espanha, uma vez mais, atingiu a excelência. E esta selecção, sendo bem real, já se tornou lenda. No final, as imagens não podiam ser mais contrastantes: espanhóis em explosões de júbilo, italianos em lágrimas. No Euro 2012, só Portugal deu verdadeira luta aos espanhóis. Apenas os penáltis nos impediram de atingir a final, onde esta fatigada Itália não constituiria obstáculo de relevo para Rui Patrício, Pepe, Moutinho, Coentrão e Ronaldo. Mas é inútil entregar-nos a exercícios de especulação. "Na guerra, o essencial não é ganhar batalhas mas a vitória", ensinou Sun Tzu. Este sábio aforismo também se aplica ao futebol.

 

Final (ontem à noite): Espanha, 4 - Itália, 0

 


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