Quarta-feira, 11 de Julho de 2012
por José Meireles Graça

"Está na moda fazer um retrato estranho dos portugueses. Mimados, 'piegas', mandriões, aldrabões, penduras, dependentes do Estado e dos subsídios. Não me espanto. Este é o retrato perfeito de uma elite que se habituou a viver do ouro do Brasil, das colónias, do condicionalismo industrial, das maroscas com os dinheiros europeus, da troca de favores entre o poder político e económico, das empreitadas das PPP, dos gestores mais bem pagos da Europa servidos pelos trabalhadores que menos recebem, do trabalho barato e semiescravo e de uma completa ausência de sentido de comunidade. De um país desigual."


Não percebo bem de que elite está Daniel a falar. A elite que esta notícia refere, constituída por empresários e gestores anónimos, e que é a mesma, ou da mesma massa, que nos anos 60 fez com que Portugal crescesse a taxas asiáticas,  apesar do condicionamento industrial, é demonstravelmente e demonstradamente a parte mais dinâmica do nosso tecido social. Mas não está dependurada no Estado, nem nas colónias (embora venda e invista lá - agora que elas são independentes até pode ganhar mais, que não corre o risco de ser considerada exploradora), nem no orçamento, nem em favores fiscais.


O Daniel Oliveira não os conhece, e pelo que deles sabe não os vê com bons olhos: pagam mal, são grunhos de província, não têm formação ... um desastre.


Faz mal, o bom do Daniel, que partilha com eles uma preocupação: aquilo que ganham - eles porque o querem guardar para consumo ou investimento, o Daniel porque o quer generosamente distribuir em nome da igualdade.


Mas quanto aos outros "empresários", os das PPPs e das empresas públicas majestáticas, e das privadas que vivem em conúbio pornográfico com o Estado, dou-lhe razão.


Vamos privatizar e promover a concorrência, então? Não, vamos nacionalizar e substituir a escumalha do Centrão pela nata do BE, do PCP e da parte "sã" do PS - é gente que recebe transfusões de competência e isenção por via ideológica. A esquerda verdadeira, já se vê, é moralmente superior, culta, generosa e muito versada nos arcanos da gestão. 


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7 comentários:
De MCosta a 12 de Julho de 2012 às 16:25
Só por curiosidade, quais foram as empresas publicas que foram desgraçadas pelo BE , PCP e Esquerda do PS, e de passagem diga-me o nome desses gestores.
Cumprimentos


De José Meireles Graça a 12 de Julho de 2012 às 18:49
Que eu saiba, nenhumas. O capitalismo guarda-se de funcionar com quem o quer aperfeiçoar a pontos de o destruir.


De MCosta a 12 de Julho de 2012 às 19:13
Pois guarda-se, mas se assim é, como é que chega a esta conclusão lógica?: "é gente que recebe transfusões de competência e isenção por via ideológica"

Estava a falar de gestão, que é muito mais do que a dicotomia capitalismo/comunismo ou outros ismos .
Que eu saiba, toda a gente estuda pelos mesmos livros, contudo diferem nos paradigmas que norteiam as suas relações com os outros seres humanos, isso sim, faz toda a diferença.

Cumprimentos


De José Meireles Graça a 12 de Julho de 2012 às 22:20
Estava a falar de empresários mais do que de gestores. Mas cansa ouvir há tanto tempo ouvir dar aulas de empreendedorismo e gestão a quem não só não tem qualquer experiência como nega o sistema que premeia o empreendedorismo e onde a gestão, se incorrecta, é sancionada com a falência. A relação com os outros seres humanos é diferente de pessoa para pessoa, mas sacanas e pulhas há-os em pessoas de todas as orientações políticas, e creio que nas mesmas proporções.


De Nightwish a 12 de Julho de 2012 às 17:06
Quem não quer perceber, de facto, nunca perceberá e discutirá os bugalhos até morrer.


De da Maia a 12 de Julho de 2012 às 17:44
Sim, mas o que era importante saber era a razão pela qual esses "bons" empresários (que aparentemente sustentam o balança positiva de exportações) estão sem voz.
Afinal, não lhes deveria ser agradável ver o lucro dessas iniciativas empresariais legítimas servir para pagar os desvarios de PPPs, consultadorias, rendas, fundações, etc...


De José Meireles Graça a 12 de Julho de 2012 às 19:05
A primeira razão é falta de tempo. Mas também, as qualidades que se requerem para ter sucesso numa empresa não são as mesmas que são necessárias para ir para a praça pública catequizar o próximo seja em que sentido for. Depois, o país não é uma empresa, é bem mais complexo. Mas nem sequer é preciso ser empresário para verberar essas escandaleiras - elas entram pelos olhos dentro e só se mantêm porque o edifício dos interesses tem uns putos duns alicerces difíceis de demolir.


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