Quarta-feira, 25 de Julho de 2012
por Alexandre Poço

No meu primeiro tiro neste blog, queria cumprimentar aqueles a quem me junto nesta casa, e em particular, ao Pedro Correia, pelo gentil convite que me fez para me juntar a este batalhão. Poderia começar na defesa, pois também elas conseguem vencer jogos, mas entendi que o primeiro disparo deveria ser de peito aberto e sem medo do que virá do lado de lá. Assim, acabo de arrumar a pistola na cintura e deixo no ar, não sei se apenas fumo, mas também a vontade de "acertar em cheio" no inimigo. Conto com a vossa observação, que é como quem diz leitura, da bala:

 

Crescimento e emprego, dizem eles por contraponto com a direita que quer recessão, desemprego e pobreza generalizada. A receita da esquerda é “políticas de crescimento e emprego” por contraponto com a política malévola da direita assente na austeridade neoliberal de cariz fascizante. O debate está partido ao meio, portanto, com o governo, a troika e a Alemanha a quererem sangue e com a bondosa esquerda a  querer espalhar benesses, subsídios e boa vida.

 

Ora, comecemos pela semântica: a palavra “crescimento” é, intuitivamente, positiva, leva o nosso imaginário colectivo a pensar em coisas boas; da mesma família, é o “emprego”, ninguém é contra o emprego, querer dar “emprego” é portanto uma coisa que fica bem de se dizer e ainda melhor de se ouvir, principalmente nestes últimos tempos. Agora, vejamos a palavra “austeridade”, uma palavra grande e feia, que remete para algo frio, seco e sem sentimentos. Ser austero é coisa do passado, hoje ninguém diz que tem um amigo muito porreiro, porque ele é austero.

 

Da semântica, passemos para a realidade dos factos. Em Portugal, entre 2000 e 2011 foram gastos 2 mil milhões de euros em medidas para o emprego. Sim, 2 mil milhões de euros. E o resultado: o desemprego nunca parou de aumentar. A taxa de desemprego passou de 3.9% (2000) para 12.7% (no final de 2011). E mesmo antes da crise internacional (2008), o desemprego manteve sempre a mesma tendência de subida. Daqui é possível concluir que os rios de dinheiros públicos (ou seja, dinheiro dos contribuintes) gastos neste período não trouxeram mais emprego. Os incentivos estatais apenas trouxeram mais desemprego. Quanto a crescimento, vemos que na primeira década desde século, crescemos por volta de 0.7% ao ano. Estamos conversados, então.

 

E porque devemos ter em conta estes dados e números do passado para resolver os problemas de hoje? Porque os mesmos que nos conduziram até este estado de pré-bancarrota e de protectorado (em que se incluem todos os governos desde 1995) querem novamente “políticas de crescimento e emprego” que em bom português significa colocar o Estado a injectar dinheiro na economia, aumentando a despesa, o défice e por conseguinte, a dívida. Isto só é possível, com mais impostos, sugando dinheiro aos portugueses. Ou seja, a esquerda pretende recorrer a uma solução que, a curto prazo, até poderia gerar emprego – se bem que de valor duvidoso – mas que a longo prazo iria continuar a viciar a nossa economia em estímulos e mais estímulos, tornando-a dependente para crescer e sufocando a iniciativa privada, aquele que deve ser a verdadeira geradora de emprego. Porque não baixar os impostos para as empresas, por exemplo a TSU? Veja-se o caso da Irlanda neste aspecto particular. Isso é neoliberalismo que quer privatizar a segurança social, dizem eles.

 

Estas propostas à la Hollande parecem vir de Marte, pois esquecem o estado em que estão as nossas contas públicas. Não há forma de crescer com o país no limiar do endividamento, pois não há recursos - ou seja, capital - para tal. Esse está a ser utilizado para pagar dívidas. No mínimo, e se tivesse vergonha na cara, o PS deveria ter conhecimento. Da esquerda radical do não pagamos (BE e PCP), não se pode esperar outro comportamento. A sua essência é esta. O que custa é ver um país alimentado pelos jornais, comentadores e televisões (também eles sempre dependentes do paizinho estatal) a cair nesta lenga-lenga dos “estímulos”  que não são nada mais nada menos do que ter o coração na boca e a mão na carteira dos outros.


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