Segunda-feira, 30 de Julho de 2012
por Alexandre Poço

Seguro critica extinção de freguesias por 'uns míseros euros'

 

Há uns dias atrás, o inseguro mas ainda líder do PS, Seguro, voltou à carga com a retórica hipócrita sobre a extinção de freguesias, enquadrada na reforma do mapa administrativo do país. Hipócrita, porque António José Seguro conhece muito bem a realidade do poder local e talvez ainda melhor a relação entre partidos e órgãos de poder local. Faço uma declaração de interesses, penso que o governo - que ambiciona cortar cerca de 1000 freguesias - está a ser modesto nesta área. Poderia ir mais longe, quer em freguesias, quer em câmaras, através da fusão ou extinção de algumas dezenas de municípios. António José Seguro levanta questões que parecem ser de alguém com sensibilidade como o acesso a serviços públicos por parte dos cidadãos. Mas todos sabem qual é a verdadeira preocupação daqueles que se opõem a esta reforma (e também os há no PSD): a disputa e exercício de poder, tanto na câmara como nas secções locais dos partidos que vivem "concentradíssimas" na conquista do poder nos órgãos autárquicos. E este poder externo - público - influencia posteriormente o poder interno e Seguro sabe bem que os seus aparelhistas não podem ficar sem prato para comer, ainda por cima em tempo de crise. Estar contra esta reforma, para mim, e chamem-me radical ou o que for, é ser conivente com a partidocracia local. O país não pode - de uma vez por todas - continuar a ser gerido de acordo com os interesses partidários, sejam eles do PS ou do PSD. O PSD e o PS talvez necessitem de 308 municípios e de 4 mil e tal freguesias para ter poder para distribuir pelos militantes que se destacam em cada edilidade. O país e os portugueses, esses, é que não precisam de certeza. 


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2 comentários:
De Marão a 31 de Julho de 2012 às 09:06
COMO SEGURO E QUEJANDOS PERDERIAM O EMPREGO

Actualização do estatuto e reformulação das freguesias, claro que sim. Mas não se acomodam anexos antes de se dimensionar a nave principal. Se os partidos beneficiários do sistema feitos patos-bravos querem assentar tijolo sem cuidar dos alicerces, dos socialistas registe-se que quando na governação não gerem, atrapalham, diluem e transferem. Catastróficos ao leme, ciclone arrasador na oposição. Não há solução para o País com um sistema eleitoral talhado á conta e medida como alimento das clientelas partidárias do arco dominante, em que as permutas de poder, entre estafados e viciados ocupantes se sucedem ciclicamente em restrita escala a dois comparsas, com pendura de ocasião em permanente estado de alerta. Inundados de naftalina trocam de actores e fatiotas, preservando á vez a chave bem guardada do palheiro que os vai engordando, repartindo e enfardando entre si em palco de simulação de guerrilhas para entretenimento público. Só uma emenda constitucional de emergência máxima constituirá receita curativa para tão nociva moléstia, com renovação de gentes, refrescamento e distribuição com renovados e legítimos peões em tabuleiro a arejar com destreza. Das quase duas centenas e meia de deputados ensacados em turbilhão, aí uns 50% não tem feito mais que coçar cadeiras, agarrados, tolhidos e obedientes por vícios fósseis desde á mais de 30 anos, em que nunca foram capazes, ou intencionalmente mascararam a emergência de parir uma nova, escorreita e transparente lei eleitoral. O modo e tempo da actual discussão do número de freguesias não passa de um mal encenado número circense, quando tudo deveria iniciar-se por uma constituição adulta e sem sofismas, pelo modo de eleição e assento no parlamento e órgãos autárquicos para que com legitimidade renovada se arquitecte o edifício administrativo do País. A redução do número de deputados deve andar perdida, a descentralização, (que não uma regionalização multiplicadora de benesses e burocracia), parece que se perdeu. Se os governantes de turno apenas rodeiam habilidosamente as questões estruturais de fundo, os anafados opositores enquanto arregalam o olho á espera de vez, vão-se coçando com um chega para lá macaco, que em vez de apontar alternativas decentes insistem em inundar-nos a pele, tossindo e salivando gafanhotos. Saltam de galho em galho como quem muda de camisa, de Faro para Braga como de Sintra para Lisboa. Sempre prontos a saltar para o comboio da fruta.


De Alexandre Poço a 1 de Agosto de 2012 às 13:53
Estou certo que muitos portugueses partilham das suas preocupações e que urge uma grande reforma de todo o sistema político, com alterações profundas e até bastante divergentes do que aquelas que o país adoptou quando despertou para a democracia com a actual constituição. Cumprimentos


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