Terça-feira, 31 de Julho de 2012
por Rui C Pinto

Há um blog, em Portugal, que tem liderado a campanha anti-Climate of fear, difundida vastamente nos US of A, mas com pouca expressão cá no burgo: o Insurgente. As razões que levam o libertário a combater ferozmente as teses científicas que alertam para as consequências de uma intervenção humana insustentável no consumo de recursos e na poluição dos ecossistemas não é muito lógica, a não ser na intransigente rejeição a eventuais soluções que resultem em aumentos de impostos ou legislação federal/estatal. 

 

O debate político travado, actualmente, entre activistas "verdes" e activistas capitalistas (chamo aqui desde os anarco-capitalistas aos Tea Party, ou aos 99 percent, o leque é vasto) pouco, aliás nada!, tem de científico. Os primeiros limitam-se a fazer previsões baseadas em modelos pouco rigorosos que preveem aumentos de temperatura exponenciais. Os segundos, dedicam-se a defender estudos de credibilidade nula desenvolvidos por instituições com agenda política, financiados por interesses que vão da abastada Koch Foundation à indústria petrolífera. A agenda destes últimos visa criar, na opinião pública, a confusão de que a comunidade científica que investiga os fenómenos naturais associados ao aquecimento do planeta e os activistas da Greenpeace são uma e a mesma coisa. Não são. Essa distinção fica para outras núpcias. 

 

O que me faz hoje escrever é o artigo publicado por Richard Muller no The New York Times, denominado "The conversion of a climate-change skeptic". O título é elucidativo. Ainda que do ponto de vista científico, Richard Muller (anteriormente avençado pela Koch Foundation) acrescente pouco ao debate, há trechos do seu artigo de opinião que vale a pena difundir, porque são elucidativos da distância que separa o debate ideológico entre os extremos do espectro político norte-americano e a ciência. 

 

(...)

"It’s a scientist’s duty to be properly skeptical. I still find that much, if not most, of what is attributed to climate change is speculative, exaggerated or just plain wrong. I’ve analyzed some of the most alarmist claims, and my skepticism about them hasn’t changed."

(...)

"Science is that narrow realm of knowledge that, in principle, is universally accepted. I embarked on this analysis to answer questions that, to my mind, had not been answered. I hope that the Berkeley Earth analysis will help settle the scientific debate regarding global warming and its human causes. Then comes the difficult part: agreeing across the political and diplomatic spectrum about what can and should be done."


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