Terça-feira, 31 de Julho de 2012
por Pedro Correia

 

Portugal permanece em branco quanto a medalhas olímpicas sem se registar nenhuma comoção nacional. Foi algo a que nos habituámos durante demasiadas edições das Olimpíadas e conseguimos sobreviver a isso. Mas basta dar um pulo a Vigo, Badajoz ou Ayamonte para se perceber que entre nuestros hermanos é tudo bem diferente. O fracasso da selecção olímpica de futebol espanhola, à qual resta agora apenas a hipótese de um resultado honroso contra Marrocos antes de fazer as malas, está a causar quase tanta polémica como a contínua subida do montante da dívida e das taxas de juro. O saldo não podia ser pior, apesar de os olímpicos espanhóis contarem com estrelas como Jordi Alba, Juan Mata e Javi Martínez: duas derrotas consecutivas, contra essas irrelevâncias do futebol mundial que são o Japão e as Honduras, e nem um golito marcado para animar a malta. O Guardian conseguiu resumir tudo numa frase atirada aos futebolistas espanhóis: "São mortais."

Por estes dias, só falta ao treinador que é o rosto mais visível destas derrotas, Luis Milla, ser açoitado na praça pública: está a ser mais criticado do que o presidente do Governo, Mariano Rajoy. Mas o governante espanhol também não tem motivos para respirar fundo: se contava com eventuais medalhas olímpicas para anestesiar a opinião pública, já certamente se desiludiu. Nesta matéria Espanha permanece em branco. Ao contrário de países como a Mongólia, a Moldávia, o Azerbaijão, a Lituânia, a Geórgia e o Catar.

A crise começou ainda antes das Olimpíadas, ao ser anunciado que o campeoníssimo Rafael Nadal, por lesão, não compareceria em Londres: era o adeus antecipado à mais que provável medalha de ouro no ténis. Depois foi o que se sabe. Além do desaire no futebol, também a nadadora Mireia Belmonte, que chegou a ser apontada como esperança para um lugar no pódio, fracassou nas meias-finais dos 200 metros estilos. De tal maneira que as atenções até já se viram - vejam lá - para o pólo aquático. Mas nem aí as coisas estão a correr bem.

Nos Jogos de Barcelona, em 1992, Espanha recolheu 22 medalhas. Há quatro anos, em Pequim, os nossos vizinhos voltaram a transbordar de orgulho: subiram 18 vezes ao pódio. Desta vez, está visto, não sucederá nada semelhante. Os resultados estão a ser inversamente proporcionais ao investimento: Espanha enviou a Londres um contingente de 281 atletas - é o nono país nas Olimpíadas em termos de participantes. Até por isso o mau humor dos espanhóis é mais compreensível. E neste caso nem podem atirar as culpas para cima de Angela Merkel...


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4 comentários:
De Pedro a 1 de Agosto de 2012 às 16:18
"... Rafael Nadal, por lesão, não compareceria em Londres: era o adeus antecipado à mais que provável medalha de ouro no ténis."

Discordo. Não era o favorito, não só por ter caído para número 3 e ter sido precocemente eliminado em wimbledon mas sobretudo pelo piso ser a relva, tendo o favoritismo Djokovic e sobretudo Federer para alcançar o ouro.

Quanto ao resto, concordo. Excelente artigo.


De Pedro Correia a 3 de Agosto de 2012 às 00:08
Obrigado, Pedro. E discorde à vontade, não há problema.


De Carlos a 2 de Agosto de 2012 às 16:22
A Mireia já ganhou uma medalha. E no tenis em pares ainda ganham outra.


De Pedro Correia a 3 de Agosto de 2012 às 00:10
Sim, ela ganhou - já depois de eu ter escrito estas linhas - e foi quanto bastou para virar a opinião pública espanhola, que salta sempre muito depressa do oito para o oitenta, e vice-versa. No futebol é que não houve boas notícias para os espanhóis: a selecção despediu-se de Londres com um empate a zero no jogo contra Marrocos. Nem um golo marcado.


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