Terça-feira, 4 de Outubro de 2011
por João Gomes de Almeida

 

Amanhã, lá vão os parvos dos republicanos sair à rua. Brindarão, por certo, à igualdade e à liberdade de alguém nascer e poder chegar onde quiser. Festejarão o ensino laico e todas as conquistas dos últimos cem anos. Gritarão que o povo não é estúpido e que sabe que a república é o ventre da democracia. Novos ricos feitos nobreza, sairão à rua nos seus audis brancos e festejarão a vitória do nobre provo sobre a velha nobreza.

Amanhã, lá vão os parvos dos monárquicos sair à rua. Bigodes ao alto, o vosso coração está em deus. Por entre camisas ao xadrez, blasers de botões azuis e ideologia do outro século, vão em uníssono gritar: a monarquia é mais barata do que a república, o rei é preparado desde pequenino para reinar e traz o povo no coração, povo este que o coroa por aclamação a cada novo soberano que desce à terra, vindo directamente do Olimpo. Vão todos brindar ao Portugal do antigamente e aos feitos heróicos que a república nunca soube honrar. "Viva a monarquia!" brindarão os trinta saudosistas reunidos à lareira.

Amanhã - porque de certeza se prolongará para além da meia-noite - vou estar a jantar com uns amigos, a comer francesinha no Campo Pequeno. A meio do jantar, vou puxar do tema: então e o 5 de Outubro? Vou ouvir tudo o que têm a dizer e beber mais um fino, enquanto como francesinha. Depois, vou dizer exactamente aquilo que gostava de expressar neste texto:

O meu chefe de estado não é republicano, por esse motivo tem o azar de nunca ter enriquecido à pala da república. Não é o Cavaco e por isso nunca partilhou corredores com o Oliveira e Costa, nunca jantou com o Duarte Lima, nunca pediu conselhos ao Dias Loureiro e nunca deu bênçãos ao Alberto João Jardim. A ele, nunca nenhum banco lhe pagou campanhas, nunca nenhum empresário lhe ligou a pedir favores e nunca teve que ganhar eleições para a chefia de um partido. 

O meu chefe de estado não acha que nasceu do Olimpo. O meu chefe de estado reconhece o passado do país, mas não acha que o país tem apenas cem anos - ao mesmo tempo sabe que como diria Benjamim Walter, comentando o tecto da Capela Sistina, o anjo da história tem os olhos no passado, mas os ventos sopram do futuro.

O meu chefe de estado é um árbitro num campeonato de futebol que não o português. Um homem independente e atento que sabe ser imparcial e puxar as orelhas a todos aqueles que se portam mal no jogo que é a democracia. Um homem que sabe disciplinar e ao mesmo tempo apelar ao fair-play. Um homem que sabe que a sua missão é pôr ordem no jogo.

O meu chefe de estado só é um bom árbitro porque teve a sorte de nascer árbitro, sem ter que ceder a influências e lobbies. Injusto? Talvez. Mas o pragmatismo da política mostra-nos que a monarquia funciona melhor do que a república. Cem anos depois temos a prova.

 

Também publicado no Polaroid e no Estado Sentido.


tiro de João Gomes de Almeida
tiro único | gosto pois!

De Draguinho a 4 de Outubro de 2011 às 22:31
Só li até à palavra PARVOS. Achei que tinha a ver com monárquicos e desisti.


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