Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012
por Maurício Barra

É popular, no círculo dos comentadores socialistas, a afirmação que o PSD não tem uma estratégia para Portugal, pois limita-se a seguir o acordado com a troika. E que o PS, pelo contrário, tem uma estratégia que visa “melhorar “ a vida dos portugueses.

Ora bem, a única “estratégia “ do PS que os portugueses conhecem e da qual sofreram as consequências foi a do governo Sócrates, baseada num sector público sobredimensionado  ( mas adequado para instalar a nomenklatura do partido ) pago pelo crédito estrangeiro, controlo da comunicação social e acordos leoninos com os monopólios e oligopólios  que asfixi(av)am a nossa economia ( PPP's, auto-estradas a bel prazer das grandes construtoras e da banca, rendas excessivas das energias de primeira necessidade, energias renováveis impostas ao bolso dos portugueses, eliminação dos certificados de aforros para satisfazer a banca que não gosta de produtos financeiros fora do seu controlo ). O resultado é conhecido : a pauperização dos portugueses que foram colocados perante o abismo da bancarrota.

Para sair da bancarrota  os nossos parceiros europeus e o FMI decidiram ajudar-nos se, e só se, Portugal eliminasse os constrangimentos, todos de base ideológica, que disfuncionalizavam e retiravam competitividade à nossa economia. Para grande desgosto do PC e do BE, que transformaram os últimos trinta e cinco anos em sucessivas fronteiras de “direitos adquiridos”, o PS, o PSD e o CDS aceitaram e assinaram esse acordo. Sem ele não haveria, desde Junho do ano passado, dinheiro - sim, dinheiro - para pagar os ordenados do sector público e as pensões da segurança social.

E é assim que estamos a viver. Com uma estratégia de recuperação dos indicadores fundamentais da economia para padrões idênticos aos que regulam os outros países europeus. Sejam eles de centro-direita ou de centro-esquerda .

E, pelo menos até ao fim de 2013, esta é também a estratégia do governo.

Estratégia que também era do PS. Assinada e aprovada. Era. Mas já não é. Porque exigia a que também ele, o próprio partido, refundasse a sua praxis política, deixando para trás os condicionamentos ideológicos da esquerda não democrática que algemaram os socialistas democráticos todos estes anos.

Hoje a estratégia do PS é uma não-estratégia : dizer que não a tudo que o governo faz porque recusam assumir a responsabilidade do acordo que assinaram. Objectivamente,  o que o PS faz agora em Portugal não é muito diferente do que o Syriza preconizava na Grécia. A estratégia do PS é, lamentavelmente, encostar-se à estratégia do Francisco Louçã, o qual demonstrou abertura da parte do BE para participar num futuro Governo de Esquerda com o PS e com o PCP, desde que “ o PS rejeite o memorando da troika".

Felizmente para Portugal, o PS não está no governo. A política absurda do PS de estar no lado do problema em vez de estar no lado da solução, solução que assinou com os nossos credores internacionais, teria colocado Portugal na vertigem do incumprimento e hoje, tal como a Grécia, estariamos a ser empurrados para fora do euro. Para grande prazer do PC e do BE. 


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