Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011
por Ricardo Vicente

É importante tornar o regime mais neutro em termos ideológicos. Não me refiro a coisas como, por exemplo, o endeusamento do socialismo patente na Constituição da República Portuguesa. Esse endeusamento, ainda que tenha razão de ser atendendo ao contexto histórico da CRP, é hoje completamente ridículo e ultrapassado. Mas é também irrelevante: daquelas palavras inscritas na Constituição já não vem mal nenhum ao mundo, nem bem, nem nada.

 

Igualmente irrelevante é a questão da forma de Estado, república ou monarquia. Não se trata apenas de um debate já esgotado em que os argumentos são sempre os mesmos, tal como aponta João Gomes de Almeida neste post. É a própria essencialidade do assunto que já não é significativa.

 

O que é significativo para a vida das pessoas é a presença de "ideologias de Estado" em áreas, essas sim, verdadeiramente importantes. Por exemplo, a educação.

 

Gostaria pois que o Cinco de Outubro de Dois Mil e Onze não fosse mais uma perda de tempo em fantochadas pró-república ou pró-monarquia mas sim um dia para debater o seguinte: não seria bom tornar o ensino público mais neutro? E, para tal objectivo, não seria importante aumentar a liberdade efectiva das pessoas escolherem a escola dos filhos? Liberdade de ensinar e de aprender: aí está uma coisa verdadeiramente útil que pode ser debatida num dia que se quer relevante.

 

Seria pois desejável que o país se deixasse de irrelevâncias e pensasse em coisas sérias. Por exemplo, na liberdade educativa.


tiro de Ricardo Vicente
tiro único | comentar | gosto pois!

2 comentários:
De k. a 5 de Outubro de 2011 às 12:42
Mais neutro? O que quer isso dizer?

Debater como o tornar mais eficaz, e aumentar a sua qualidade, tudo bem..

E já há liberdade de aprender, é a universalidade do sistema educacional

liberdade de ensinar.. bem, não há dinheiro para tantos professores


De Ricardo Vicente a 5 de Outubro de 2011 às 19:20
Mais neutro significa retirar o peso ideológico em disciplinas do ensino público como, por exemplo, a História e a Economia.

Concordo que é preciso mais eficácia e qualidade e até concordo que estes dois objectivos sejam mais importantes do que o da neutralidade ideológica. Mas, no dia de hoje, pareceu-me interessante falar da neutralidade ideológica.

Para haver liberdade de aprender não basta que o sistema seja universal, é necessário que esse sistema forneça opção. Só há opção se houver diferença. Mas o ensino em Portugal está dominado por programas oficiais que são únicos e, portanto, não oferecem liberdade nenhuma.


comentar tiro

Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds