Terça-feira, 4 de Outubro de 2011
por Pedro Correia

 

Quando um autarca invoca como cartão de visita estar "há 37 anos" -- 30 anos dos quais como presidente da câmara -- a prestar serviço na mesma autarquia, isto diz quase tudo sobre a urgência em reformar o chamado poder local. Há 37 anos, o primeiro-ministro português chamava-se Vasco Gonçalves, o inquilino do Palácio de Belém era o general Spínola e Pedro Passos Coelho acabara de fazer o exame da 4ª classe. Foi o ano do 25 de Abril, da demissão forçada de Richard Nixon devido ao escândalo Watergate, o ano em que Giscard d' Eistang derrotou François Mitterrand nas presidenciais francesas. Foi o ano em que Brejnev expulsou Soljenitsine da URSS devido à publicação no Ocidente do Arquipélago de Gulag, proibidíssimo em território soviético. O ano em que Francis Ford Coppola ganhou o Óscar de melhor realizador pelo seu filme O Padrinho II, o ano em que Yazalde recebeu a Bota de Ouro e os Abba venceram o Festival da Eurovisão.

O mundo era totalmente diferente do actual. E no entanto aquele autarca já pontificava então no município onde ainda hoje serve. Símbolo vivo do imobilismo, contesta a reforma em curso na administração local - como poderia ser de outra forma? Vindo de quem vem, o contrário é que seria de admirar.


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9 comentários:
De jlcr a 4 de Outubro de 2011 às 16:55
E o Alberto João? Há quantos anos anda por ali


De Pedro Correia a 4 de Outubro de 2011 às 17:23
A pergunta é boa, a resposta é fácil. Sobre AJJ penso exactamente o mesmo.


De Eduardo Louro a 4 de Outubro de 2011 às 18:29
E é ver, Pedro, como essa gente esfrega as mãos e saliva na expectativa de que a reforma eleitoral autárquica lhes abra uma porta qualquer através da Assembleia Municipal . Ou como um desses, quando a moderadora (será?) lembrava que não poderia voltar a candidatar-se , correu a acrescentar: "à mesma autarquia..."


De Pedro Correia a 4 de Outubro de 2011 às 19:04
O Parlamento tem de legislar no sentido de impedir esses expedientes de baixa política, Eduardo.


De Eduardo Louro a 4 de Outubro de 2011 às 22:07
Acho que sim, Pedro. Mas também que os partidos deveriam, desde já e ainda antes de qualquer iniciativa legislativa, deixar claro que não aceitam listas de golpadas. Para percebermos que há por aí mais Marques Mendes e para que muita dessa gente nem sequer comece a dar asas à imaginação.


De Pedro Correia a 4 de Outubro de 2011 às 22:12
Sem dúvida, Eduardo. Inteiramente de acordo. Mas atendendo a que se trata de matéria legislativa da competência exclusiva do Parlamento, convém desde já que os deputados se entendessem nesta matéria de forma tão consensual quanto for possível.


De Inês Tavares a 4 de Outubro de 2011 às 21:06
Os dinossáurios andaram por cá milhões de anos. Depois veio um meteorito e como eram muuuuuuito grandes, não conseguiram sobreviver.

Invente-se um meteorito político-autárquico que os extermine. Realmente são jurássicos e já não têm quaisquer ideias que valham para os problemas da zona.

Com as 3-4 reformas já dá para dar banho ao cão!


De Pedro Correia a 4 de Outubro de 2011 às 21:39
O que me espanta, Inês, é o tempo de antena acrítico de que muitos deles ainda beneficiam nos órgãos de informação. Sem nunca ninguém lhes perguntar por que motivo permanecem tão agarrados ao poder.


De Laura Ramos a 7 de Outubro de 2011 às 01:11
Excelente, esta visão sincrónica. A ironia? Vivemos numa sociedade política em que a acumulação de experiência é menosprezada onde e como devia (dispensamos os "senadores" desinteressados); mas em que é sobrevalorizada onde, manifestamente, está a mais e paralisa.


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