Sábado, 25 de Agosto de 2012
por Joana Nave

A minha vida dava um filme do Woody Allen, uma verdadeira tragicomédia com todos os ingredientes do drama e da comédia. Sou uma grande fã do cineasta e tenho um ficheiro em excel com toda a filmografia, onde vou anotando todos os filmes que já vi, os que compro e os que me faltam ver. Gosto de todos, mas tenho os meus preferidos, aqueles que são de alguma forma mais Woody Allenescos. As dúvidas existencialistas, as peripécias do dia-a-dia, o medo da morte e as relações disfuncionais compõem os dramas mais comuns.

Muitas vezes penso que podia ser uma determinada personagem e identifico-me com a história, sofrendo ou regozijando-me com o desfecho. É tão fácil sentirmo-nos meio perdidos, meio tontos, umas vezes tristes, outras contentes, porque a vida é esta linha cheia de curvas e contracurvas que ocultam sempre o que vem a seguir. Numas alturas somos o inferno, noutras o céu, e é esta busca incessante pelo equilíbrio que nos faz acordar em cada manhã. Se tudo corresse de acordo com as nossas expectativas, se as relações humanas fossem simples, a vida não teria qualquer sentido e, de repente, os consultórios dos psicólogos encher-se-iam de pessoas terrivelmente desgostosas com a sua imensa felicidade.

O ser humano é complexo e é isso que o torna interessante. A vida é uma permanente caça ao tesouro. Atravessamos continentes, cruzamos oceanos, para um dia encontrarmos a paz e a serenidade, quase sempre e invariavelmente no leito da morte. Procura-se alcançar a tranquilidade de morrer porque se cumpriu o destino, ou simplesmente porque se aceita o que se viveu sem mágoa nem julgamentos.

Eu, uma personagem tipicamente Woddy Allenesca, gosto da complexidade da vida, interesso-me pelo estudo do comportamento humano, as contrariedades da psique e tudo o que diga respeito às relações sociais. Considero que entender quem somos é um desafio que nos manterá eternamente activos, porque ao longo de séculos de história fomos sempre surpreendidos pela evolução. O desenvolvimento é tão extenso para o mal como para o bem, e é por isso que é tão importante alcançar o ponto médio que nos equilibra e sustém no arame em que percorremos os nossos dias.


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1 comentário:
De Pedro Correia a 26 de Agosto de 2012 às 00:30


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