Sábado, 1 de Setembro de 2012
por Joana Nave

Há momentos nas nossas vidas que são verdadeiramente únicos. Nesses momentos gostávamos de poder parar o tempo para que as sensações que nos provocam durassem para sempre. Quando nos sentimos felizes estamos perante um desses momentos únicos e, naquele instante, a nossa mente é surpreendida por uma estranha clarividência em que tudo faz sentido e parece até que todos os caminhos percorridos e todos os acontecimentos do nosso passado serviram apenas para nos conduzir àquele momento. Temos de estar plenamente no presente para poder viver o momento e atribuir-lhe a devida importância.

Já vivi alguns momentos únicos de imensa felicidade que gostaria que tivessem durado para sempre, mas também vivi outros menos bons que não posso apagar com uma borracha porque também fazem parte da minha vida. Um dos momentos menos bons que vivi serviu também o propósito de me conferir um grande entendimento sobre a importância do tempo. Esforçamo-nos por viver da melhor forma, mas perdemos demasiado tempo com coisas e pessoas que não nos servem. Não é possível gostar de tudo e de todos, é preciso saber em primeiro lugar o que queremos e o que não queremos para podermos fazer escolhas conscientes de acordo com a nossa própria vontade.

Lembro-me de uma pessoa que uma vez me convidou para almoçar. Inicialmente pensei em recusar porque tinham-me dito que era muito aborrecido e interesseiro, mas resolvi dar o benefício da dúvida porque o que é mau para uns pode ser bom para outros, mesmo aborrecido e interesseiro não sendo características que possam favorecer alguém. O almoço decorreu com normalidade, embora se tenha tornado gradualmente mais aborrecido e interesseiro. A dada altura o meu interlocutor resolveu proferir uma frase muito importante para ele: “a vida é demasiado curta para perdermos tempo com quem não vale a pena”. Não imaginam como, naquele instante, a minha mente se iluminou de clarividência. Quem estava a perder tempo com quem não valia a pena era eu e apenas por educação fiquei sentada na mesa a contar os minutos que estava efectivamente a perder. No entanto, senti-me feliz por ter entendido a importância de viver o momento, mesmo que tenha sido para descobrir que os meus amigos estavam certos e que aquela pessoa era mesmo aborrecida e interesseira.


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3 comentários:
De Judite França a 3 de Setembro de 2012 às 12:10
Joana, bem visto! A questão é sempre a mesma: primeiro é preciso saber o que se quer. Parece simples, mas é muito difícil. Depois, é preciso ter cuidado com o que se pede: pode ser que se tenha.



De Floriano Mongo a 3 de Setembro de 2012 às 18:08
Joana,

Simplificar a sua vida, entre outras decisões, significa ter coragem de deixar para trás também as pessoas que já não combinam consigo.

:)


De Ana Maçarico a 13 de Setembro de 2012 às 11:46
Joana,

costumo dizer, pelo menos sei aquilo que NÃO quero, aquilo que quero, se ainda não souber vou descobrindo no meu caminho.

Parabéns pelas suas crónicas!


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