Segunda-feira, 3 de Setembro de 2012
por Francisca Prieto
 

 

Por alturas do Ciclo Preparatório abracei a ginástica desportiva com grande entusiasmo num clube aqui da zona. Nadia Comaneci tinha arrecadado uma data de medalhas nos Jogos Olímpicos de Moscovo e eu tinha a certeza de que, com três treinos semanais, conseguiria tranquilamente equiparar o feito.

De maneira que se seguiram vários verões a fazer pinos e rodas na praia sem nunca ter chegado a tirar um mísero flic-flac da cartola.

 

Nessa altura ainda não sabia que, tal como me veio a acontecer quando resolvi ter aulas de viola, não tinha qualquer talento para a actividade e foram precisos vários treinos para me dissuadir de chegar à glória olímpica (ou à Orquestra Filarmónica de Lisboa, no segundo caso).

 

Há um par de anos lembrei-me que seria giro fazer um pino contra a parede para mostrar aos meus filhos de que raça a mãe era feita. Foi quando se deu um fenómeno inesperado. Por mais que puxasse pela cabeça, não conseguia perceber que raio de ordem o cérebro tinha de dar ao corpo para efectivamente atirar os braços ao chão e as pernas para detrás das costas sem incorrer em danos hospitalares.

 

Lembrei-me disto a propósito de, este ano, a ala masculina ter resolvido organizar um torneio futebolístico na praia. Pais, tios, filhos e sobrinhos a correrem de um lado para o outro, pelo meio do areal, com pares de chinelos a definirem a área das balizas. Dia após dia.

 

No primeiro, solteiros e casados, o que significa que havia uma equipa constituída por quarentões e, outra, por miúdos abaixo dos dez anos, reforçada por um sobrinho de dezasseis. Parece que ganharam os casados mas, dizem os minorcas, com muita batota, já que a partir do meio do jogo a equipa de anciões começou a ficar pelos bofes e já só davam corridinhas no meio campo de lá. Segundo a criançada (e passo a citar) “só ganharam porque ocupavam tanto espaço que tapavam a baliza”. Em sua defesa, os adversários, foram peremptórios em afirmar que os tinham “esmagado” (embora todos soubéssemos que a única coisa que ficou esmagada foi a hérnia discal do tio João e a coxa do tio António que teve de ser socorrido com sacos de gelo provenientes directamente da Camping Gás)

 

No dia seguinte resolveram misturar as tropas, e assim se seguiu um rol de jogos equilibrados por mais uma jornada. Só que, a meio do campeonato, as lesões começaram-se a agravar até se tornar claro que, para não haver mortos, era melhor acabar com o saudável desporto vespertino.

Inclui-se no saldo um dedo mindinho deslocado, um tio que confessava chegar a casa e não conseguir calçar sapatos por ter a sola dos pés queimada e um outro que pontapeou várias vezes a areia, sem nunca conseguir tocar na bola.

 

A criançada ficou desiludida mas, depois de participar no miserável espectáculo de encarar um adulto em agonia, com o pé enfiado numa manga de refrescar garrafas, não teve outro remédio senão acatar as desistências. Os casados suspiraram de alivio mas, como são homens, acharam só que estavam em baixo de forma. Nunca admitiram que talvez já não sejam o que eram. 

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De k. a 4 de Setembro de 2012 às 17:45
é por causa dessa que eu não caso, e a minha mulher será mãe solteira (que é para continuar a fazer o pino)

sou muita esperto :D


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