Terça-feira, 11 de Setembro de 2012
por Alexandre Guerra

 

Em determinadas zonas do mundo, algumas mais remotas do que outras, sobretudo naquelas que estão marcadas pelo conflito, não há grande espaço para as pequenas coisas normais que fazem parte do quotidiano de qualquer jovem (e não só) numa sociedade pacífica e minimamente desenvolvida.

Para tentar contrariar esta trágica realidade foi fundada em Cabul a Skateistan, uma ONG que providencia apoio à prática do skate e a programas de educação no Afeganistão.

Num país dilacerado há anos pela violência e pela pobreza, e onde quase 70 por cento da população tem menos de 25 anos, iniciativas como a Skateistan parecem ser ferramentas muito mais profícuas ao nível da integração dos jovens do que muitas das estratégias milionárias que as potências externas impõe, por vezes, de forma cega e sem qualquer sentido social.

Não é por isso de estranhar que na missão da Skateistan se leia que o skate é uma “ferramenta” para o “empowerment” dos jovens, proporcionando-lhes um sentimento de pertença a uma determinada comunidade, à qual se entregam com paixão e não implica andarem com uma Kalashnikov na mão.

Quem já praticou skate, como foi o caso do autor destas linhas durante vários anos, percebe que neste tipo de modalidades mais “extreme” se desenvolve um sentimento forte de pertença a uma “tribo” que se vive com toda a devoção.

Ora, em sociedades como a afegã, onde os jovens convivem lado a lado com talibans e al Qaeda podendo ser recrutados a qualquer momento, este sentimento de pertença a uma “tribo” de skaters pode significar a normalidade nas suas vidas e a rejeição de um caminho potencialmente tortuoso e sangrento.


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