Num país em a “opinião publicada” está muito à esquerda da opinião pública (segundo parte da nossa imprensa, o PSD e o CDS nunca teriam ganho nenhuma eleição nos últimos 38 anos), é necessário, para discernir a realidade, recusar a narrativa "construída" por parte de quem nos quer formatar ideologicamente.
A entrevista ao Primeiro-Ministro revelou que:
● a troika colocou Portugal encostado à parede sobre o cumprimento do ajustamento do deficit: deu mais tempo, mas não baixou os juros, e sobretudo não cedeu um milímetro nos objectivos do deficit, apesar da decisão do Tribunal Constitucional;
● a opção do Governo de alargar a todos um agravamento imposto é sequência da decisão do referido Tribunal, decisão essa que foi accionada pelo PS;
● não foi explicado que, nesta circunstância, o aumento da TSU por parte dos trabalhadores por conta de outrem foi a melhor opção entre outras alternativas avaliadas;
● por outro lado foi comunicado que o aumento da TSU terá medidas alargadas de excepção para proteger os mais desfavorecidos;
● fomos também informados que o “corte das gorduras do Estado“ está em curso nas PPP’s e nas fundações, mas sobre as rendas excessivas dos monopólios que agravam o dia a dia dos portugueses em todo o ciclo energético, nada foi mencionado;
● confirmou-se que o corte dos subsídios de férias e Natal só abrange 11% dos pensionistas;
● também se confirmou que a decisão foi da coligação governamental (apesar da campanha iniciada há dois meses pelo jornal financiado pela Sonae para tentar criar “problemas “ entre o PSD e o CDS);
● com a entrevista, estas medidas não foram percepcionadas como fazendo parte de um programa estrutural a longo prazo de aumento da competitividade da economia portuguesa, visando o aumento do investimento e a criação do emprego. Daí o tema do financiamento da economia (PME’s) por parte da banca estar completamente ausente da entrevista;
Esta decisão criou um “corte” entre o Governo e as expectativas do eleitorado que o suporta: a entrevista não a resolveu. Atenuou mas não resolveu.
A partir de agora serão actos e não palavras que os portugueses avaliarão.
Para os portugueses este Governo tomou medidas que goraram as suas expectativas. Mas é um Governo que não mente. E para o qual não existe alternativa. Como a indigência e a contínua irresponsabilidade do PS o demonstrou no próprio dia da entrevista. Com este PS os portugueses sabem que a alternativa é um caminho para a perdição.
Tal como os portugueses, o Governo e a oposição estão entre a espada e a parede.
Queria só realçar deste post três coisas. Não foi explicado que o aumento da TSU foi a melhor opção ... pois não foi porque isso sim seria dificil ... Omitir não é dizer a verdade, omitir é mentir. Foi explicado que haveria protecção nessa medida aos mais desfavorecidos mas não como. Pois já tinha sido dado uma pista que seria em sede de IRS veremos se é na taxa de IRS e logo repercutida todos os meses se é na declaração anual ... mais uma vez a omissão dá ideia que não se sabe ainda muito bem: erro crasso de comunicação na melhor das hipóteses. Na pior das hipóteses (se ainda não se sabe mesmo como) é de amador. Por fim cortar gorduras com as PPPs? Mas isso é que são as gorduras? E tudo o que o Estado gasta em fornecimentos de terceiros desnecessários? E a dimensão da máquina do estado? E os privilégios dos governantes e máquina politica de topo, quando é que falarão disso? Ou será que isso é demasiado populista e perigosamente de esquerda? Não mente este governo é verdade. Começo é a imaginar que não o faz não por virtude, não por carácter mas por pura incompetência. Nem mentir convenientemente saberá ... e infelizmente creio que a maioria dos portugueses está mais ou menos na mesma.
Uma dúvida: todos dizem mal da medida referente à TSU, não sei se é a melhor ou a pior, sei que a descida para o empregador era obrigatória no acordo com a troika, sei que Sócrates que o assinou se enterrou aqui porque não tinha solução para o problemas, sei que estão praticamente todos contra o aumento do IVA e estão praticamente todos contra a subida compensadora para o trabalhador, então qual era a solução ideal e consensual alternativa? 
Pois é , caro Carlos Faria, governar em democracia, por vezes, é como a própria democracia : decidir a menos má entre todas as outras opções.
E sujeitar-se ao veredicto eleitoral.
" não foi explicado que, nesta circunstância, o aumento da TSU por parte dos trabalhadores por conta de outrem foi a melhor opção entre outras alternativas avaliadas;"
Isto é uma badalhoquice. A Mudança na TSU representa pelas contas apresentadas 500 milhões para o estado. Representa é a transferência de 2 mil milhões dos trabalhadores para as empresas em nome de um suposto aumento de emprego, de competitividade e numa crença cega de que se 90% de nós tiver salários vietnamitas o país fica melhor.
. . . badalhoquice foi uns deputados do PS e um tribunal constitucional com complexos de esquerda ter alterado uma política de ajustamento do deficit consensual para os 3.700.000 pessoas que trabalham todos os dias no sector privado sem as benesses e as garantias das 700.000 pessoas que trabalham no sector público.
De k. a 14 de Setembro de 2012 às 14:49
exacto, atropele-se a lei e Constituição em nome do fanatismo troikista do gaspar.
Primeiro a constituição, a seguir o quê?
Ah e já agora não me venham com tretas dos "funcionarios publicos sao uns protegidos" - digam isso aos 50.000 professores que vao para o olho da rua.
boa análise Maurício.
obrigado. temos dias. hoje estava mais cool do que o costume.
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