Sexta-feira, 14 de Setembro de 2012
por José Meireles Graça

Eurogrupo só passa cheque a Portugal depois do Orçamento ser viabilizado

 

Excelente desculpa, lá vai o bom do Seguro votar a favor ou abster-se no orçamento, que de toda a maneira só quer eleições e ir para o Governo se este tirar as castanhas do lume.

 

Ou se não tiver outro remédio. Que o Senhor Presidente da Câmara de Lisboa, farto de vernissages e de estragar o trânsito, lhe morde os calcanhares porque tem a solução para o País: o programa de Sócrates, que seguiu e apoiou entusiasticamente, para o qual julga haver crédito; e, em não havendo, taxar os ricos para tornar o país mais competivo - Costa é um grande adepto da competividade, que defende com alguma indiferença pela Gramática e pelo senso.

 

Guerras florais. No fundo são peões de um jogo onde imaginam que têm alguma coisa que preste a dizer. Mas não têm, os senhores da troika, agora que o grosso das dívidas dos PIIGS foi transferido dos bancos para os "cidadãos europeus", não estão para embrulhar os diktats em excessivas delicadezas e dizem ao que vêm.

 

São credores e falam grosso. Qualquer credor fala grosso se achar que o dano que pode infligir é maior que o dano que pode sofrer e estiver certo que o devedor está ciente disso.

 

Se a classe dirigente achasse que nem a UE nem o Euro têm futuro; se fosse pacífico que não é possível haver crescimento com um Estado desmesurado e uma fiscalidade predatória; e se a opinião pública percebesse que a solidariedade europeia é uma mera desculpa para sustentar burocracias que administram os fundos e os distribuem, ao mesmo tempo que vão criando a gigantesca teia de regulamentos que peia a actividade económica e exige cada vez mais pessoal e recursos; e, por último, se a população não estivesse doutrinada por décadas de europeísmo, dereitos, pugresso a crédito e visse o Estado pelo que é - uma emanação nossa que não pode dar nada a ninguém sem o retirar ao vizinho - seria possível dizer aos credores:

 

Nós vamos pagar até ao último cêntimo, incluindo juros. Para isso, temos que crescer e para crescer o vosso programa não serve, porque o ritmo a que retira recursos da economia é superior ao ritmo a que razoavelmente podemos reformar o Estado e porque só podemos dar sangue se alimentados. Mas vamos fazê-lo e disciplinar as contas e o País, porque somos gente séria e simples, e já internamos o mayor Costa  e todos os adeptos da economia vudu. Por conseguinte aqui está o nosso Plano. É pegar ou largar. Se largarem, ficam a arder, nem que comamos erva.

 

Era preciso cojones, artigo de que há um grande défice: o que há é mais para manifestações e bifanas.

 

A troika pode ficar sossegada e dizer - e fazer - o que quiser. Se for à janela, vê um mar de cartazes. Ao fim do dia, os varredores limpam o lixo, como de costume.


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