Sábado, 15 de Setembro de 2012
por Fernando Moreira de Sá

Hoje, antes mesmo das manifestações, escrevi e expliquei (nas redes sociais) o motivo porque não iria. Agora, com mais tempo e espaço, explico o motivo de não ter ido.

 

Não, não fui. Respeito imenso todos aqueles que foram. Compreendo bem os motivos de muitos amigos que foram. A liberdade materializa-se de muitas formas e uma delas é a liberdade de expressão e participação em manifestações. Foi a forma escolhida por muitos milhares de portugueses. Mesmo muitos. Eu sou militante do PSD, do PSD que não desvaloriza a força de um movimento popular como aquele que hoje se viu um pouco por todo o país e em especial no Porto e Lisboa. Para mim é tão ou mais significativo os cerca de cinco mil manifestantes que estiveram em Braga como os 500 mil que participaram em Lisboa.

 

Escrevi nas redes sociais que não usaria a desculpa de estar a trabalhar para me escusar (mesmo sendo verdade que estava a trabalhar). Não, não foi por isso. Foi, como disse antes, por ainda ter esperança. A esperança de quem ainda acredita no Pedro Passos Coelho que conheci antes das directas, com quem tive o privilégio de debater ideias em encontros de bloggers, no Pedro Passos Coelho que a ouvia a opinião de tantos e tantas que agora talvez estejam adormecidos(as). Ainda quero acreditar. Não tanto por mim. Pela minha filha, pelos meus sobrinhos que acabaram de entrar na universidade, pela minha mãe e pela minha sogra que são reformadas. Pelo meu país.

 

Eu percebo bem, se percebo, os motivos que levaram tantos milhares de pessoas a ir para a rua. Percebo e conheço a realidade dos funcionários públicos e as razões que assistem a boa parte deles, daqueles que lutam diariamente com brio e profissionalismo em prol do bem comum, sem o devido reconhecimento e que, nos últimos anos, desde a chegada da troika, são tratados como se fossem parasitas da sociedade. Eu percebo bem, se percebo, a revolta dos trabalhadores do sector privado ganhando cada vez menos e trabalhando cada vez mais na permanente angústia de perderem o seu posto de trabalho por via da crise económica na empresa onde trabalham. E percebo, ó se percebo, o desespero de tantos e tantos empresários ameaçados de impostos, num verdadeiro esbulho fiscal, que limita o investimento e agrava a saúde financeira das empresas. E o números pornográfico de desempregados em Portugal? É verdadeiramente assustador.

 

Porém, também percebo que o caminho trilhado por Portugal a partir, sobretudo, dos anos noventa e agravado nos últimos anos, obrigando a uma intervenção externa humilhante por parte da chamada troika, nos obriga a mudar de vida. Penso ter moral para, hoje, escrever tudo isto. Apoiei Pedro Passos Coelho, sou militante do PSD, escrevi, pouco depois da tomada de posse deste governo que era preciso ter cuidado para não matar o doente com a cura. No primeiro aniversário do mesmo, voltei a escrever sobre o doente e a cura. Por várias vias, que não apenas estas, procurei chamar a atenção para diversos factores (RTP, QREN, política fiscal, Turismo, Economia, etc.). É essa moral que me obriga a sublinhar que o meu PSD não desvaloriza o que se passou hoje e só o PSD de gente fora da realidade o poderá fazer.

 

A mesma moral que me faz sublinhar que este caminho, em termos de política fiscal, nos pode conduzir à ruptura, ao abismo. Que não se pode tomar decisões políticas duras sem as explicar muito bem. Mesmo muito bem. De forma a que todos percebam os motivos, as razões e a fraqueza de eventuais alternativas. Que não se pode seguir um caminho que mais do que nos levar à pobreza nos levará à profunda miséria. Que não se pode exigir aos trabalhadores, à classe média e às PME medidas duras e, ao mesmo tempo, continuarmos, todos, sem perceber o conteúdo das famigeradas parcerias público-privadas e accionar os mecanismos legais que obriguem quem prejudicou o país a responder perante a justiça. Que nos expliquem o que se passa com o QREN, dinheiro que nem sequer é nosso, que está completamente parado e sem pagar a quem deve. Que não se mudam as regras a meio do jogo sem respeitar os direitos daqueles que não tiveram culpa nenhuma.

 

Eu quero lá saber do que diz Manuela Ferreira Leite, o que não diz Paulo Portas ou da lata daqueles que nos conduziram a esta desgraça e agora gritam contra a troika, a mesma que nos apresentaram como os salvadores da pátria. O que eu quero, o que a maioria dos portugueses desejam é ver soluções. É saber se temos responsáveis governativos que conhecem o mundo real e que não estamos perante fantásticos professores universitários, profundos conhecedores do pensamento dos diferentes teóricos da economia e das finanças mas que, para desgraça nossa, nunca geriram nem um simples condomínio quanto mais uma empresa. Será pedir muito? Será assim tão exigente pedir um pouco de senso comum, uma simples descida ao mundo real? Será assim tão difícil perceber que nenhum país sobrevive sem uma classe média minimamente forte? Será que não reparam que estamos a destruir a nossa classe média e que, dessa forma, se vai destruir o país? É isso que quer a troika? Para quê?

 

E quero, já agora, que tudo isto nos seja devidamente explicado. Sem amadorismos comunicacionais como aqueles a que temos assistido nos últimos dias. Em suma, eu quero política mesmo.

 

Hoje não fui. Não por considerar, e até considero, que uma crise política neste momento é o fim. Não. Eu não fui porque ainda tenho esperança. Ainda quero acreditar que o Pedro Passos Coelho que conheci, que ouvi, ainda existe neste corpo de Primeiro-ministro que os portugueses lhe vestiram.

 

Quando a esperança morrer, serei o primeiro a ir para a rua e lutar. Com muito mais força do que a utilizada quando foi preciso combater as políticas do anterior governo. De braço dado com aqueles amigos que hoje estiveram nos Aliados, com quem não estive nesta hora.

 

Por agora, quero continuar a ter esperança. A desesperar por ela. A acreditar em Portugal.

 


tiro de Fernando Moreira de Sá
tiro único | gosto pois!

Comentar:
De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres




Regimento
outras cavalarias
tiros recentes
tiros mais comentados
cofre
tags
Arregimentados
Subscrever feeds