Domingo, 16 de Setembro de 2012
por Alexandre Poço

Lusa, 17 de Setembro de 2012

 

 

Ao fim de um ano e quatro meses, o Partido Socialista regressou ao governo. O Presidente da República acaba de dar posse a António José Seguro como novo  Primeiro-Ministro de Portugal, no XXII Governo Constitucional.

 

Rodeado da sua equipa governamental, onde se encontram caras como João Galamba (Ministro de Estado, das Finanças, do Plano e do Investimento), Carlos Zorrinho (Ministro da Energia Verde) ou Pedro Nuno Santos (Ministro da Economia), o chefe de governo elencou algumas das medidas que o executivo irá tomar nos próximos dias, de forma a “recuperar a confiança do povo no país e adoptar uma política de crescimento e emprego”, a saber:

 

- Devolução imediata do imposto extraordinário sobre o IRS cobrado no subsídio de Natal dos trabalhadores no ano de 2011;

- Devolução imediata e com carácter de urgência dos subsídios de férias relativos ao ano de 2012 a todos os funcionários públicos e pensionistas;

- Criação de uma linha de crédito pelo Ministério das Finanças na ordem os 5 mil milhões de euros para financiar as PME;

- Fim das previstas mexidas na Taxa Social Única e agravamento desta para as empresas em 3 pontos percentuais;

- Fim dos cortes previstos nas fundações;

- Elaboração do “Plano Energia Verde Sempre” que se destina a conceder apoios do Estado às chamadas energias limpas e que deve rondar os 800 milhões de euros, em 2013;

- Retorno ao modelo de SCUT nas auto-estradas em que o governo anterior colocou o modelo de pagador-utilizador;

- Nova tabela das taxas moderadoras: 2€ por consultas nas USF e 5€ nas Urgências hospitalares;

- Aumento das verbas para a Educação: Mais 700 milhões de euros em 2013;

- Retorno para 13% na taxa de IVA aplicada na restauração;

- Aumento das verbas para a Segurança Social destinadas à protecção social no desemprego e ao RSI em cerca de 600 milhões de euros;

- Novo concurso para colocação de professores que até à data ainda não tinham arranjado colocação;

- Criação do passe escolar “Estudex” que comparticipa em 80% o valor do passe para todos os estudantes com idade inferior a 25 anos;

- Construção de 5 auto-estradas e 2 aeroportos regionais como forma de dinamizar a nossa economia e apoiar o sector estratégico da construção. O Primeiro-Ministro não adiantou para já os locais das infraestruturas;

- Aumento do IRS para o último escalão, dos actuais 46.5% para os 55% e criação de novos escalões para rendimentos mais altos (valores a definir) de forma a alcançar uma “maior equidade fiscal e uma justa distribuição de sacríficios”;

- Aumento do salário mínimo dos actuais 485€ para os 600€, de forma a “iniciar um caminho de convergência com os nossos parceiros europeus”, salientou Seguro;

 

O Primeiro-Ministro (PM) afirmou que estas medidas são a tradução de uma “agenda progressista” e que coloca o país na rota do “crescimento e do emprego”. Quanto ao memorando de entendimento com a troika, o chefe de governo afirmou que o governo iniciará uma renegociação do acordo com o FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia para garantir “mais tempo, mais dinheiro e flexibilidade nas medidas”, pois segundo Seguro, “as pessoas estão primeiro”. O PM terminou reiterando que o seu principal objectivo é “devolver aos portugueses a sua vida de sempre”.


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2 comentários:
De joaquim a 16 de Setembro de 2012 às 18:04
Ao longo da semana que passou, Paulo Portas teve mais uma vez a oportunidade de mostrar qual o seu verdadeiro carácter e por que razão está na política. O antigo director do jornal que contribui para a queda de Cavaco, o antigo ministro da Defesa que não terá recebido luvas na compra de dois submarinos, andou seis dias a fingir que não tinha nada a ver com as mexidas na TSU, remetido a um "silêncio patriótico", ao mesmo tempo que mandava os seus mangas de alpaca criticarem a medida publicamente e passava cartas a jornais nas quais se opunha à decisão governamental. De férias no estrangeiro, não falou. No regresso, também não. Entretanto, levantava-se no país uma onda de repulsa às medidas, da opinião publicada à rua, do PSD ao PCTP-MRPP. Quando percebeu que o melhor seria demarcar-se, não teve pejo em apunhalar Passos Coelho pelas costas e dizer que se opõe a uma medida essencial do Governo de que é o número dois, tendo o distinto descaramento de afirmar que irá fazer tudo para lutar contra "esta medida do Governo", como se o seu ministro, Pedro Mota Soares, não tivesse participado na elaboração da mesma, como se ele próprio não fosse ministro de Estado - Passos Coelho não se cansou de o repetir na entrevista à RTP.



Paulo Portas já percebeu que o Governo é neste momento um morto-vivo. E por isso faz questão de, numa impressionante demonstração de hipocrisia, desonestidade intelectual, falta de lealdade e, acima de tudo, sem-vergonhice, estar no Governo sem estar no Governo. Se fizesse cair o executivo, as culpas recaíram sobre ele. Assim, continua, colocando um pé de fora, assegurando uma eventual sobrevivência do partido que preside. Pintar a cara de preto e cobrir-se de penas seria pouco para este ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

http://arrastao.org/2631095.html


De Nuno Silva Leal a 16 de Setembro de 2012 às 20:11
A parte pior deste post é que na maior parte das vezes a realidade acaba por superar a ficção. E se isso acontecer, depois de 6 anos de Sócrates, levar com o Seguro e medidas deste género (que são aquelas que ele tem defendido, é verdade) era o funeral de Portugal...


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